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Tem gente que sobe dez andares de escada para não entrar no elevador, e tem quem escolha sempre a cadeira perto da porta em qualquer reunião. Algumas pessoas passam meses adiando a ressonância magnética que o médico pediu porque não conseguem se imaginar dentro do aparelho.
Entendendo esse medo
A claustrofobia é um medo intenso e persistente de lugares fechados ou apertados, mesmo quando não existe perigo real. Muita gente fica um pouco incomodada em um lugar pequeno e cheio, e a sensação passa ao sair. Na fobia, a ansiedade vem forte, às vezes como uma crise de pânico, e a pessoa organiza a rotina para não ficar presa. É mais frequente em mulheres e costuma começar na infância ou na adolescência, mas também pode surgir na vida adulta.
Poucas vezes o medo é do espaço em si. Para muitas pessoas, o centro é a ideia de não conseguir sair com facilidade. Para outras, é o medo de ficar sem ar, de não conseguir se mexer ou de perder o controle e desmaiar. Muitas sabem que a reação é exagerada, mas isso não basta para acalmá-la.
Gatilhos comuns
- Uma porta que se fecha atrás de você
- Cômodos pequenos e sem janela
- Janelas que não abrem
- Teto baixo ou corredores estreitos
- Ter que ficar parado por muito tempo
- Muita gente apertada em volta
- O elevador parar entre dois andares
- Roupas justas ou algo cobrindo o rosto
- Filas sem uma saída à vista
- Imaginar que não vai conseguir sair
Onde ele aparece
- Elevadores
- Túneis e passagens subterrâneas
- Metrô, trem, ônibus lotado e avião
- Aparelhos de ressonância magnética e tomografia
- Banheiros públicos e provadores de loja
- Porões, cavernas e quartos pequenos
- Portas giratórias de banco
- Shows, blocos de carnaval e lugares muito cheios
Sintomas
No corpo
- Coração disparado assim que a porta se fecha
- Sensação de falta de ar ou aperto no peito
- Suor e tremores
- Tontura ou sensação de desmaio
- Boca seca
- Enjoo ou mal-estar no estômago
- Zumbido no ouvido
Na mente
- Sensação de que as paredes estão se aproximando
- Medo de ficar sem ar
- Necessidade urgente de sair
- Medo de perder o controle ou de desmaiar
- Pensar que algo terrível vai acontecer
- Preocupação dias antes de uma viagem ou de um exame
O que a pessoa costuma fazer
- Usar sempre a escada em vez do elevador
- Procurar as saídas ao entrar em qualquer lugar
- Sentar perto da porta ou do corredor
- Deixar as portas abertas, até no banheiro
- Evitar túneis, metrô ou viagens longas
- Adiar exames como a ressonância
O que causa esse medo
Muitas vezes o ponto de partida é uma experiência angustiante em um lugar fechado, como ficar trancado no quarto ou no armário quando criança. O medo também pode começar mais tarde, depois de ficar preso em um elevador ou de um voo muito difícil. Ver outra pessoa passar mal, ou crescer com um pai ou uma mãe que tinha medo de lugares fechados, pode ensinar o medo sem que a pessoa tenha vivido nada parecido. Um histórico de ansiedade na família e um jeito mais ansioso de ser podem aumentar o risco, e acredita-se que em algumas pessoas o alarme do cérebro reaja com mais força. Ao evitar lugares fechados, a mente nunca confirma que daria para ficar ali em segurança, e o medo se mantém.
Como pode afetar a sua vida
A claustrofobia pode ir encolhendo o mapa de lugares aonde a pessoa se sente capaz de ir. Tem quem recuse trabalho em salas pequenas ou em prédios altos, evite o metrô mesmo levando muito mais tempo para chegar ou deixe de viajar. Também pode afetar a saúde, porque algumas pessoas adiam uma ressonância ou uma tomografia de que precisam. A ansiedade constante pode atrapalhar o sono e, com o tempo, pesar no humor e na autoconfiança.
O que pode ajudar no dia a dia
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, para usar quando parecer que falta ar
- Fixar a atenção em algo tranquilo à vista, como um ponto na parede, lembrando que a sensação passa
- Quando se sentir pronto, ficar um pouco mais de tempo em lugares levemente fechados, mas seguros, no seu ritmo
- Se o médico pedir uma ressonância, avisar a clínica com antecedência sobre o medo e perguntar se existe aparelho aberto na sua região
- Contar sobre o medo a alguém de confiança e cuidar do sono e da atividade física
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você evitar o transporte, certos trabalhos ou lugares, se você tem crises de pânico ou se está adiando exames ou tratamentos. Se tem uma ressonância marcada, converse antes com o seu médico, porque ele pode sugerir formas de deixar você mais tranquilo, e qualquer remédio para relaxar deve ser indicado por ele. Se a ansiedade atrapalha o dia a dia, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. A claustrofobia costuma responder bem ao tratamento, principalmente à terapia de exposição gradual.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. Na claustrofobia, ela costuma ser usada para explorar de onde vem a sensação de estar preso e para ensaiar na imaginação, com calma, situações como entrar no elevador ou no aparelho de ressonância, até elas parecerem possíveis. Também é comum usá-la para diminuir a reação automática de alarme que dispara quando uma porta se fecha. Muitas pessoas recebem ainda uma gravação para praticar antes de uma viagem ou de um exame. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é claustrofobia?
É um medo intenso e persistente de lugares fechados ou apertados, como elevadores, túneis ou cômodos sem janela, mesmo quando não há perigo real. É considerada uma fobia específica. A diferença para o incômodo comum é que a ansiedade é forte e leva a pessoa a evitar lugares ou atividades.
Tenho claustrofobia e preciso fazer ressonância magnética. O que fazer?
Avise com antecedência o médico e a clínica onde o exame será feito. A equipe pode explicar cada etapa, oferecer proteção para o barulho e manter contato com você durante o exame, e alguns lugares têm aparelhos de ressonância aberta. Se for preciso um remédio para relaxar, quem decide é o médico.
Claustrofobia tem cura?
A claustrofobia costuma responder bem ao tratamento. A terapia de exposição gradual e a terapia cognitivo-comportamental ajudam muitas pessoas, e muitas vezes as mudanças aparecem em semanas ou poucos meses quando a prática é constante. É normal continuar sentindo algum desconforto em certos lugares.
Por que sinto falta de ar em lugar fechado?
Quando a mente interpreta um lugar como uma armadilha, o corpo liga a reação de alarme. A respiração fica rápida e curta, e isso dá a sensação de que falta ar, mesmo que no lugar haja oxigênio suficiente. Respirar devagar, alongando a saída do ar, ajuda a acalmar essa sensação.
Claustrofobia e síndrome do pânico são a mesma coisa?
Não exatamente. Na claustrofobia, a ansiedade aparece em situações específicas, como um elevador ou um túnel. Crises de pânico podem acontecer nessas situações, mas no transtorno de pânico, conhecido como síndrome do pânico, elas se repetem e às vezes surgem sem motivo claro. Se isso acontece com frequência, procure um psicólogo ou psiquiatra.
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