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Tem criança que acorda toda manhã de aula com uma dor de barriga que some assim que sabe que vai ficar em casa. Tem adolescente que chega até o portão da escola e não consegue entrar, ou que pede para ir embora no meio da manhã. E tem mãe, pai e responsável que não sabe se insiste, se espera ou se pede ajuda.
Esta página foi pensada tanto para quem sente o medo quanto para as famílias que acompanham de perto.
Entendendo esse medo
A didaskaleinofobia é um medo intenso e persistente de ir à escola. Não é um diagnóstico formal: os profissionais costumam falar em recusa escolar, ou rejeição à escola, quando a ansiedade, o medo ou a tristeza tornam muito difícil para uma criança ou um adolescente ir às aulas ou permanecer nelas. Não é a mesma coisa que matar aula escondido para se divertir. Na recusa escolar, a criança costuma estar em casa, angustiada, e muitas vezes quer ir, mas sente que não consegue.
Pode aparecer em qualquer idade e é comum depois de uma mudança, como entrar em uma escola nova, voltar às aulas depois das férias ou retornar após um período doente. Às vezes aparece como dias inteiros sem ir, e outras como chegar atrasado, sair mais cedo ou passar boa parte do período na coordenação pedindo para alguém da família vir buscar.
Gatilhos comuns
- As manhãs de aula e a hora de se arrumar
- O domingo à noite e o fim das férias
- A despedida da mãe, do pai ou do responsável
- Provas e perguntas em voz alta na sala
- Uma matéria ou um professor em especial
- O recreio e a hora do lanche
- Brigas com amigos ou zoações
- Mensagens no grupo de WhatsApp da turma
Onde ele aparece
- Em casa, antes de sair
- No caminho, no ônibus ou na van escolar
- No portão da escola
- Na sala de aula
- No pátio, durante o recreio
- Na aula de Educação Física
- Nos grupos e redes sociais com colegas
Sintomas
No corpo
- Dor de barriga ou de cabeça nas manhãs de aula
- Enjoo ou falta de apetite no café da manhã
- Dormir mal na noite anterior
- Choro ou tremores na hora de sair de casa
- Mal-estar que melhora nos fins de semana e nas férias
Na mente
- Medo de errar ou de passar vergonha
- Preocupação em não se enturmar ou com as zoações
- Medo de um professor ou de uma matéria
- Preocupação com a família enquanto está longe
- Pensar na segunda-feira o fim de semana inteiro
O que a pessoa costuma fazer
- Se recusar a se vestir ou a sair de casa
- Pedir para voltar para casa
- Chegar à escola e não conseguir entrar
- Ir com frequência à coordenação ou à diretoria
- Irritação, choro ou se trancar no quarto
O que causa esse medo
Quase sempre há várias causas somadas. O bullying, os problemas com amigos, a pressão por notas ou uma relação difícil com um professor podem fazer a escola parecer um lugar ameaçador. Mudanças grandes em casa, como uma mudança de cidade, uma separação, uma doença ou uma perda, podem despertar o medo de se afastar da família. Algumas crianças têm um temperamento mais sensível à ansiedade ou casos de ansiedade na família, e outras têm dificuldades de aprendizagem ou sensoriais que tornam o dia na escola exaustivo. Às vezes, a recusa escolar acompanha a ansiedade de separação, a ansiedade social ou a depressão. Ficar em casa traz um alívio imediato, e esse alívio faz a volta no dia seguinte parecer ainda mais difícil.
Como pode afetar a sua vida
Para a criança ou o adolescente, faltar às aulas pode trazer atraso no aprendizado, perda de amizades e a sensação de estar ficando para trás. Muitos sentem culpa ou vergonha e têm medo de que os outros vejam aquilo como preguiça. Para a família, as manhãs podem virar uma batalha diária que cansa todo mundo, com ligações da escola e desacordos entre os adultos sobre o que fazer. Se o medo continua por meses, pode abalar a confiança do filho ou da filha em si mesmo e aumentar o isolamento.
O que pode ajudar no dia a dia
- Ouvir com calma o que preocupa a criança, sem diminuir nem aumentar o problema
- Manter horários estáveis de sono e de manhã
- Dividir a manhã em passos pequenos e reconhecer cada esforço
- Combinar com a escola metas graduais, como começar com algumas horas
- Praticar juntos uma respiração lenta ou anotar as preocupações antes de dormir
- Fazer os dias em casa seguirem uma rotina parecida com a da escola, sem virar folga
- Evitar gritos, castigos e forçar a ida, que costumam aumentar a ansiedade
Quando procurar ajuda
Se o medo dura mais do que alguns dias, se a criança só fica parte do período ou se as manhãs já viraram uma briga, vale agir cedo, porque a volta fica mais fácil quanto antes começa. O primeiro passo é conversar com a escola, com o professor e com a coordenação pedagógica ou o orientador educacional, para entender o que está acontecendo e combinar ajustes. Também é importante levar a criança ao pediatra ou a um médico, que pode avaliar as dores de barriga ou de cabeça e encaminhar para um psicólogo ou psiquiatra infantil; pelo SUS, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS). Se você suspeita de bullying, a escola precisa saber e agir. Se notar tristeza persistente ou muito isolamento, no seu filho ou em você, procure um profissional de saúde mental; o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de ir à escola, ela costuma ser usada com adolescentes e com algumas crianças, sempre com a participação da família, para acalmar a reação de alarme das manhãs e ensaiar na imaginação o caminho, a entrada e o dia de aula até que pareçam possíveis. Funciona melhor como parte de um plano combinado com a escola e com o pediatra. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que fazer quando o filho não quer ir para a escola?
Ouça com calma, tente entender o que preocupa a criança e converse logo com a escola e com o pediatra. Obrigar com gritos ou castigos costuma aumentar a ansiedade, mas deixar a criança em casa por muito tempo também faz o medo crescer, e tirá-la da escola geralmente não resolve. O mais indicado costuma ser uma volta gradual, combinada com a escola e com apoio profissional.
Recusa escolar é a mesma coisa que matar aula?
Não. Quem mata aula costuma sair de casa e ir para outro lugar, escondendo isso da família. Na recusa escolar, a criança ou o adolescente costuma ficar em casa, angustiado, e muitas vezes quer ir, mas sente que não consegue.
A dor de barriga por causa da escola é real?
Sim. A ansiedade provoca dores de barriga, dores de cabeça e enjoo de verdade. Mesmo assim, vale que um pediatra ou um médico avalie, para descartar outras causas, principalmente se as dores continuam nos fins de semana ou nas férias.
O que é didaskaleinofobia?
É o nome dado ao medo intenso de ir à escola. Não é um diagnóstico formal: os profissionais falam em recusa escolar e procuram o que está por trás, como bullying, ansiedade de separação, ansiedade social ou tristeza persistente.
Quando se preocupar com o medo da escola?
Um pouco de nervosismo na volta às aulas ou antes de uma prova é normal. Vale buscar ajuda se o medo dura dias ou semanas, se a criança só fica parte do período, se as manhãs viram uma briga constante ou se aparecem tristeza, isolamento ou sinais de bullying.
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