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Para muita gente, um gato que se enrosca nas pernas é um sinal de carinho. Para outras pessoas, esse mesmo roçar provoca um pulo, o coração disparado e vontade de ir embora da casa. Tem quem recuse convites de amigos ou da família só porque sabe que ali mora um gato, e prefira não explicar o motivo.
Entendendo esse medo
A ailurofobia, também chamada de fobia de gato, é um medo intenso e persistente desses animais. Ela faz parte das fobias específicas do tipo animal. Desconfiar de um gato desconhecido ou se afastar quando ele bufa é uma reação compreensível. Na fobia, o medo é muito maior do que o risco real: pode aparecer só de ver um gato de longe, ouvir um miado ou saber que haverá um na casa que você vai visitar, e a pessoa começa a ajustar a rotina para não encontrar nenhum.
É menos conhecida do que o medo de cachorro ou de aranha, mas pode limitar bastante, porque há gatos em casas, apartamentos, ruas e muros de praticamente qualquer cidade. Para algumas pessoas, o centro do medo é levar um arranhão ou uma mordida. Para outras, pesa mais o jeito de se mover, rápido e silencioso, os saltos repentinos ou o olhar fixo, que dão a impressão de um comportamento impossível de prever. Costuma começar na infância, mas também pode surgir mais tarde.
Gatilhos comuns
- Um gato que pula de repente de um móvel ou de um muro
- Um gato que se aproxima ou fica encarando
- Bufos, miados altos ou brigas de gatos à noite
- Um gato se esfregando nas pernas
- A ideia de levar um arranhão
- Saber que a casa que você vai visitar tem gato
- Fotos e vídeos de gatos nas redes sociais
- Histórias e superstições sobre gatos
Onde ele aparece
- Casa de amigos, de parentes ou do namorado ou da namorada
- Quintais, muros e telhados
- A rua, a garagem e as áreas comuns do condomínio
- Clínicas veterinárias e pet shops
- Casas de temporada e pousadas
- Cafés com gatos e abrigos de animais
- Redes sociais e vídeos na internet
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao ver um gato
- Respiração rápida ou sensação de falta de ar
- Tremores e suor
- Tontura ou enjoo
- Tensão no corpo todo
- Travar no lugar ou recuar de repente
- Susto com qualquer movimento rápido por perto
Na mente
- Medo de levar um arranhão ou de o gato pular em cima
- Sensação de que o comportamento do gato é imprevisível
- Sentir-se preso em um cômodo com um gato
- Ficar em alerta em qualquer lugar onde possa aparecer um
- Vergonha de ter medo de um animal que os outros adoram
- Pensar por dias em uma visita a uma casa com gato
O que a pessoa costuma fazer
- Recusar convites para casas onde há gatos
- Pedir que prendam o gato em outro cômodo antes de entrar
- Mudar de caminho ou atravessar a rua ao ver um
- Olhar muros e quintais antes de sair
- Manter portas e janelas fechadas
- Esconder o medo de amigos e conhecidos
O que causa esse medo
Muitas pessoas localizam a origem na infância, por exemplo em um arranhão, uma mordida ou um gato que pulou de surpresa. O medo também é aprendido: uma criança que vê um adulto se assustar com gatos, ou que ouve alertas o tempo todo, tende a enxergá-los como perigo. Ter familiares com fobias ou ansiedade e um temperamento mais sensível ao medo também pode pesar. Os movimentos rápidos e silenciosos dos gatos passam uma sensação de falta de controle, e para algumas pessoas também contam as histórias de mistério que cercam esses animais. Evitá-los traz alívio na hora, mas com o tempo deixa o medo mais forte.
Como pode afetar a sua vida
Como os gatos são muito comuns, esse medo pode afetar bastante a vida social. Visitar amigos, parentes ou a casa de quem você está namorando pode parecer impossível, e há quem recuse viagens, hospedagens compartilhadas ou até um apartamento porque o condomínio tem muitos gatos. Andar na rua pode virar um estado de alerta constante. Muitas pessoas sentem vergonha, porque os outros veem os gatos como bichinhos fofos, e acabam guardando o que sentem para si, o que pode levar ao isolamento.
O que pode ajudar no dia a dia
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando vir ou ouvir um gato
- Aprender um pouco sobre a linguagem corporal dos gatos, para que o comportamento deles pareça menos imprevisível
- Contar sobre o medo a quem convida, para que o gato fique em outro cômodo durante a visita
- Ver fotos ou vídeos tranquilos de gatos aos poucos, só até onde você se sentir bem
- Não tentar tocar nem segurar um gato desconhecido e, se ele se aproximar, ficar parado ou se afastar com calma
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de visitar pessoas queridas, atrapalha seus relacionamentos, faz você mudar de caminho todos os dias ou provoca crises de pânico. Para se orientar, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se um gato morder você, ou se um arranhão ficar vermelho, inchado ou quente, procure atendimento médico ou a UBS. Se o ânimo estiver muito baixo há semanas, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de gato, ela costuma ser usada para entender de onde vem a reação, acalmar o alarme automático que dispara com um pulo ou um bufo e ensaiar na imaginação, passo a passo, uma visita a uma casa com gato até que ela pareça possível. Esse trabalho é feito no ritmo de cada pessoa, sem precisar chegar perto de gatos de verdade. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é ailurofobia?
É um medo intenso e persistente de gatos, muito maior do que a simples desconfiança diante de um gato desconhecido. É considerado fobia quando dura meses, é desproporcional ao risco real e começa a limitar a vida, por exemplo quando a pessoa evita visitas ou muda de caminho.
Por que algumas pessoas têm medo de gato e não de cachorro?
Muitas fobias começam com uma experiência concreta, como um arranhão ou um pulo inesperado na infância, e ficam ligadas àquele animal em particular. Além disso, os gatos se movem em silêncio e mudam de atitude sem um aviso claro, o que para algumas pessoas é mais difícil de prever do que o comportamento de um cachorro.
Como visitar alguém que tem gato quando se tem medo?
Costuma ajudar avisar antes, pedir que o gato fique em outro cômodo no começo e fazer uma visita curta. Saber onde fica a saída e treinar a respiração lenta dão mais sensação de controle. Com o tempo, e com ajuda profissional se for preciso, muitas pessoas conseguem ir mais longe.
Como perder o medo de gato?
O que costuma ajudar é diminuir aos poucos a reação de alarme, com apoio profissional quando o medo é forte. A exposição gradual, com acompanhamento de um profissional e sempre respeitando os limites da pessoa, é o tratamento mais usado para fobias específicas e pode começar com passos bem pequenos, como olhar um desenho ou uma foto.
Medo de gato é a mesma coisa que alergia a gato?
Não. A alergia é uma reação do corpo, com espirros, coceira nos olhos ou dificuldade para respirar, e a fobia é uma reação de medo. Uma pessoa pode ter as duas ao mesmo tempo, e vale não confundir uma com a outra. Se você acha que tem alergia, procure um médico para avaliar.
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Clínica Universidad de Navarra, Diccionario médico: Ailurofobia · Mayo Clinic en español: Fobias específicas, síntomas y causas · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas
