Medo de fogo (pirofobia)

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Tem gente que não consegue acender uma vela sem o coração disparar. Outras pessoas conferem o fogão três ou quatro vezes antes de deitar, ou vão embora da festa quando começam os fogos de artifício, sem contar a ninguém o verdadeiro motivo.

Entendendo esse medo

A pirofobia é um medo intenso e persistente de fogo. Ter respeito pelas chamas é sensato e protege as pessoas. Na fobia, a ansiedade é muito maior do que o perigo real: ela pode disparar com uma vela na mesa, com a churrasqueira acesa ou só de ouvir falar de um incêndio. Algumas pessoas deixam de cozinhar no fogão a gás e passam muito tempo conferindo se nada ficou ligado.

O centro do medo muda de pessoa para pessoa. Para algumas, é a imagem de um incêndio em casa durante a noite. Para outras, é a chama em si, o cheiro de fumaça ou a ideia de ficar presa sem saída. Há quem tema principalmente as queimadas e viva a época seca com angústia. Às vezes o medo começa depois de uma experiência real com fogo, e outras vezes surge sem um motivo que a pessoa consiga apontar.

Gatilhos comuns

  • Ver uma vela acesa
  • Soprar as velinhas do bolo de aniversário
  • Cheiro de fumaça ou de algo queimando
  • Acender a boca do fogão
  • Fósforos e isqueiros
  • Fogueiras e churrasqueiras
  • Fogos de artifício e rojões
  • O apito de um detector de fumaça
  • Sirenes do Corpo de Bombeiros
  • Notícias e imagens de incêndios e queimadas

Onde ele aparece

  • A cozinha de casa
  • Churrascos e restaurantes com forno a lenha
  • Aniversários e jantares à luz de velas
  • Réveillon e festas com queima de fogos
  • Festas juninas com fogueira
  • Acampamentos e passeios no sítio
  • Igrejas e lugares de oração com velas acesas
  • Prédios desconhecidos, como hotéis e cinemas

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado ao ver uma chama
  • Suor ou calafrios
  • Tremores
  • Respiração rápida ou sensação de falta de ar
  • Aperto no peito
  • Enjoo ou mal-estar no estômago
  • Tontura

Na mente

  • Imaginar um incêndio em casa na hora de dormir
  • Duvidar várias vezes se desligou tudo
  • Medo de ficar preso sem saída
  • Ver perigo em qualquer cheiro de fumaça
  • Saber que o medo é exagerado e não conseguir frear
  • Preocupação constante de alguém querido se queimar

O que a pessoa costuma fazer

  • Conferir o fogão e os aparelhos várias vezes antes de sair ou dormir
  • Tirar tudo da tomada por precaução
  • Evitar cozinhar no fogão a gás ou usar o forno
  • Sair do cômodo quando alguém acende uma vela
  • Faltar a festas com fogueira ou queima de fogos
  • Procurar as saídas de emergência assim que entra em um lugar novo

O que causa esse medo

Uma experiência assustadora com fogo é um ponto de partida frequente, como uma queimadura séria, um incêndio em casa ou uma queimada vivida de perto. Mesmo assim, muitas pessoas não se lembram de nada parecido. O medo também pode ser aprendido, por exemplo ao crescer com um pai ou uma mãe com muito medo de fogo, ou ao ver alguém entrar em pânico diante de chamas. Um histórico de ansiedade na família ou um temperamento mais sensível podem pesar, assim como as imagens de incêndios no noticiário. Com o tempo, evitar e conferir trazem um alívio rápido, e esse alívio impede a mente de aprender que uma vela ou um fogão, usados com cuidado, costumam ser seguros.

Como pode afetar a sua vida

A pirofobia pode tornar difíceis coisas comuns, como cozinhar para a família, fazer um churrasco, comemorar um aniversário ou passar o Réveillon com os amigos. Há quem pare de aceitar convites para não ter que explicar por que umas velas deixam a pessoa nervosa. As conferências antes de dormir ou de sair podem causar atrasos e atritos em casa. O sono também sofre quando o medo de um incêndio não deixa relaxar. Com os anos, o medo pode limitar viagens e passeios no campo e trazer frustração ou isolamento.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Instalar um detector de fumaça, testá-lo como o fabricante indica e confiar nele
  • Fazer uma única conferência tranquila antes de dormir, sempre na mesma ordem, em vez de voltar várias vezes
  • Conhecer as orientações básicas do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, para ter um plano claro
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando sentir cheiro de fumaça ou vir uma chama
  • Diminuir o café e o álcool, que podem aumentar a ansiedade

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo impede você de cozinhar, dormir em paz ou participar de comemorações, ou se as conferências tomam cada vez mais tempo. Se você passou por um incêndio ou sofreu uma queimadura e tem pesadelos, lembranças que voltam sem querer ou se assusta com facilidade, fale com um profissional, porque isso tem tratamento. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o medo deixa você desanimado ou isolado, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora. Diante de um incêndio de verdade, saia do local e ligue para os Bombeiros (193); se houver alguém ferido, ligue para o SAMU (192).

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de fogo, ela costuma ser usada para entender o que dispara o alarme, seja a chama, a fumaça ou a ideia de ficar preso, e para ensaiar na imaginação situações do dia a dia, como um jantar com velas ou cozinhar, até que pareçam possíveis. Também é usada para acalmar a reação automática de alarme e diminuir a necessidade de conferir tudo de novo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é pirofobia?

É um medo intenso e persistente de fogo, muito mais forte do que o perigo real justifica. É considerada uma fobia específica, um tipo de transtorno de ansiedade. Também aparece com o nome de fobia de fogo.

É normal ter medo de fogo?

Ter respeito pelo fogo é normal e sensato, porque ajuda a usá-lo com cuidado. Fala-se em fobia quando o medo é muito maior do que o risco, dura bastante tempo e começa a limitar coisas comuns, como cozinhar, dormir ou ir a uma festa.

Por que confiro tantas vezes se desliguei o fogão?

Cada conferência traz um alívio rápido, e esse alívio faz a mente pedir uma nova conferência na próxima vez. Assim o hábito cresce. Se as conferências tomam muito tempo ou causam muito sofrimento, vale conversar com um médico ou um profissional de saúde mental.

Pirofobia é o contrário de piromania?

Em certo sentido, sim. A piromania é um transtorno do controle dos impulsos em que a pessoa sente atração por provocar incêndios. A pirofobia é o oposto: um medo intenso de fogo que leva a evitá-lo.

Como perder o medo de fogo?

O acompanhamento psicológico costuma dar bons resultados, principalmente a terapia cognitivo-comportamental e a exposição gradual guiada por um profissional, que avança aos poucos de imagens e vídeos até situações reais e seguras, às vezes com realidade virtual. Com prática, muitas pessoas voltam a ter tranquilidade no dia a dia.

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