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Para algumas pessoas, ganhar um buquê não é um presente, e sim um momento de aflição. Elas evitam jardins, atravessam a rua para não passar na frente de uma floricultura e, em um casamento ou um velório, passam mais tempo de olho nos arranjos de flores do que nas pessoas.
Entendendo esse medo
A antofobia é um medo intenso e persistente de flores. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele costuma ser entendido como uma fobia específica: um medo desproporcional ao perigo real, que aparece ao ver ou tocar uma flor, ou só de pensar nela, e que leva a evitá-la. Algumas pessoas têm medo de todas as flores; outras, só de certas espécies, cores ou formatos.
O medo nem sempre está na flor em si. Para algumas pessoas, o que aflige é tocar nela, o cheiro forte, o pólen ou a ideia de que ela tenha algo que faça mal. Para outras, são os bichos que as flores atraem, como abelhas, marimbondos e outros insetos. Há também quem associe as flores a um momento triste. Vale separar esse medo de uma alergia ao pólen ou a picadas: nesses casos, ter cuidado é uma precaução razoável, que deve ser avaliada por um médico. Na fobia, a aflição aparece mesmo quando a flor é artificial, está longe ou não oferece nenhum risco.
Gatilhos comuns
- Ganhar um buquê ou um arranjo
- Tocar em pétalas ou folhas
- O cheiro forte de algumas flores
- Ver pólen na roupa ou nos móveis
- Abelhas e outros insetos em volta das flores
- Estampas florais em roupas ou cortinas
- A chegada da primavera
Onde ele aparece
- Jardins, praças e viveiros
- Floriculturas, feiras e Ceasas
- Casamentos, aniversários e festas de 15 anos
- Velórios, cemitérios e o Dia de Finados
- Hospitais e visitas a pessoas doentes
- Escritórios e casas decorados com plantas
- Datas como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao ver um buquê
- Mãos suando
- Enjoo ou nojo intenso
- Respiração rápida ou sensação de sufoco
- Tremores ou tontura
Na mente
- Necessidade urgente de se afastar das flores
- Achar que o pólen ou o cheiro vão fazer mal
- Medo de que um inseto apareça a qualquer momento
- Vergonha de reagir assim a algo que os outros adoram
- Preocupação antes de eventos com decoração de flores
O que a pessoa costuma fazer
- Recusar buquês ou jogá-los fora na hora
- Evitar parques e jardins
- Faltar a casamentos e outras festas
- Pedir que tirem as flores da mesa
O que causa esse medo
Como em outras fobias específicas, raramente há uma causa única. O medo pode começar depois de uma experiência ruim, como uma picada de abelha ao cheirar uma flor, uma reação alérgica forte ou um susto com uma planta na infância. Às vezes as flores ficam ligadas a um momento doloroso, como a perda de alguém querido, e a presença delas desperta essa tristeza. Um histórico de ansiedade na família, ter visto um adulto se assustar e um temperamento mais sensível podem pesar. Em algumas pessoas, o medo de flores está ligado a outros, como o medo de insetos ou de germes. Evitar as flores alivia na hora, mas mantém viva a ideia de que elas são perigosas.
Como pode afetar a sua vida
As flores estão em quase todo lugar, então esse medo pode limitar mais do que parece. Há quem deixe de ir a casamentos, aniversários ou despedidas importantes, o que pode trazer culpa ou mal-entendidos na família. Passear em uma praça, aceitar um presente ou visitar alguém no hospital pode ficar difícil. Também é comum sentir vergonha e esconder o medo, porque as outras pessoas não entendem ou levam na brincadeira.
O que pode ajudar no dia a dia
- Se você tem espirros, nariz entupido ou coceira nos olhos perto de flores, conversar com um médico para separar uma possível alergia do medo
- Perguntar com antecedência como será a decoração de um evento, para escolher um lugar onde você se sinta mais à vontade
- Manter distância de abelhas e marimbondos e, se aparecerem, se afastar com calma, sem abanar os braços
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Começar por fotos de flores ou por flores artificiais e avançar no seu ritmo, sem se forçar
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo de flores faz você faltar a eventos importantes, evitar lugares que precisa frequentar ou causa crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. As fobias específicas costumam responder bem à terapia de exposição, uma forma de terapia cognitivo-comportamental feita de modo gradual e com acompanhamento. Se, depois do contato com uma planta ou de uma picada, você sentir dificuldade para respirar ou inchaço no rosto, ligue para o SAMU (192).
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de flores, ela costuma ser usada para entender qual parte do medo pesa mais, seja o cheiro, o pólen, os insetos ou uma lembrança ligada a elas, e para ensaiar na imaginação situações como ganhar um buquê ou caminhar por um jardim. Também é usada para acalmar a reação automática de alarme diante das flores. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é antofobia?
É um medo intenso e persistente de flores, que pode envolver vê-las, tocá-las ou sentir o cheiro delas. É considerada uma fobia específica quando o medo é muito maior do que o risco real e leva a evitar lugares, eventos ou presentes com flores.
Medo de flores é a mesma coisa que alergia a pólen?
Não. A alergia ao pólen, uma forma de rinite alérgica, causa sintomas como espirros, nariz entupido e coceira nos olhos, e deve ser avaliada por um médico. A antofobia é medo e aparece mesmo sem nenhum sintoma de alergia. Algumas pessoas têm as duas coisas.
Por que alguém tem medo de flores?
Pode vir de uma experiência ruim, como uma picada de abelha ou uma reação alérgica forte, de associar as flores a uma perda ou de um medo relacionado, como o medo de insetos. Às vezes a pessoa não lembra como começou, o que também acontece em outras fobias.
Tem como superar a antofobia?
Sim. As fobias específicas costumam responder bem à terapia de exposição gradual, que avança passo a passo e às vezes começa por imagens. A respiração, o relaxamento e abordagens como a hipnose também podem ajudar algumas pessoas a baixar a reação de alarme.
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