Medo de ficar pobre (peniafobia)

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Tem gente com emprego estável e alguma reserva que abre o aplicativo do banco várias vezes por dia e, mesmo assim, não consegue ficar tranquila. Outras pessoas se negam qualquer gasto, até os necessários, porque sentem que a qualquer momento podem ficar sem nada.

Entendendo esse medo

A peniafobia é um medo intenso e persistente de ficar pobre ou sem dinheiro. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é mais bem entendido como uma fobia específica: um medo desproporcional ao risco real, que a pessoa costuma reconhecer como exagerado, mas não consegue controlar. Se preocupar com dinheiro quando há dívidas, desemprego ou renda incerta é uma reação compreensível a um problema real, e não uma fobia. Aqui o assunto é o medo que continua mesmo quando a situação financeira está estável.

Diferente das fobias de animais ou de lugares, esse medo não tem um objeto que dê para evitar, então costuma estar presente quase o tempo todo. Às vezes ele se concentra em não conseguir pagar o aluguel, as contas ou a comida, em acabar dependendo de outras pessoas ou em repetir uma fase difícil vivida pela família. Quando a preocupação não fica só no dinheiro e se espalha também para a saúde, o trabalho ou a família, pode se tratar de um transtorno de ansiedade generalizada, que precisa ser avaliado por um profissional.

Gatilhos comuns

  • Conferir o saldo da conta
  • Pagar um boleto ou uma despesa inesperada
  • Notícias sobre crise, inflação ou demissões
  • Boatos de mudanças no trabalho
  • Fazer uma compra grande, mesmo planejada
  • Conversas sobre dívidas, preços ou parcelas
  • Ver pessoas passando necessidade

Onde ele aparece

  • Em casa, ao conferir boletos e a fatura do cartão
  • No supermercado e nas lojas
  • No trabalho, diante de avaliações ou mudanças
  • Ao planejar férias, o Natal ou outras comemorações
  • Em conversas de família sobre dinheiro
  • Com a aproximação da aposentadoria
  • Diante do noticiário econômico

Sintomas

No corpo

  • Tensão muscular
  • Coração acelerado ao abrir o aplicativo do banco
  • Dificuldade para dormir ou sono que não descansa
  • Aperto no estômago
  • Cansaço constante
  • Inquietação

Na mente

  • Achar que a qualquer momento vai perder tudo
  • Imaginar sempre o pior cenário
  • Sensação de que nenhuma reserva é suficiente
  • Culpa ao gastar, mesmo com o necessário
  • Dificuldade de concentração
  • Irritação

O que a pessoa costuma fazer

  • Conferir a conta do banco muitas vezes por dia
  • Deixar de lado gastos necessários, como ir ao médico
  • Guardar objetos por via das dúvidas
  • Evitar abrir cartas, e-mails ou mensagens do banco
  • Falar de dinheiro o tempo todo ou nunca tocar no assunto
  • Trabalhar demais por medo de perder o emprego

O que causa esse medo

Com frequência, o medo tem raízes na história da pessoa: ter crescido com pouco, ter visto a família passar aperto ou ter vivido uma demissão, a falência de um negócio ou uma crise econômica. Crescer ouvindo que o dinheiro nunca dá também pode deixar marcas, mesmo que a vida adulta seja diferente. Histórico de ansiedade na família e um temperamento mais sensível à incerteza podem pesar. Conferir as contas o tempo todo traz um alívio rápido, mas ensina à mente que a ameaça está sempre por perto e mantém o medo ativo.

Como pode afetar a sua vida

Esse medo pode tirar o prazer do que a pessoa já conquistou. Há quem não se permita férias, presentes ou descanso, ou trabalhe muito mais horas do que precisa e acabe exausto. Ele também pode provocar brigas com o parceiro ou a família por causa de gastos e levar a adiar cuidados necessários, como ir ao médico ou ao dentista, para não gastar. Com o tempo, pode vir acompanhado de desânimo. As preocupações com dinheiro e a saúde mental podem se alimentar uma da outra e formar um ciclo difícil de quebrar.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Separar um problema real, que pode ser resolvido com passos concretos, de uma preocupação com algo que talvez nunca aconteça
  • Escolher um horário fixo para olhar as contas, em vez de conferir a toda hora
  • Limitar o tempo de leitura de notícias sobre economia
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando o alarme disparar
  • Evitar tomar decisões importantes sobre dinheiro em um momento de angústia
  • Conversar sobre o medo com alguém de confiança, em vez de carregá-lo em silêncio

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se a preocupação com dinheiro ocupa boa parte do seu dia, tira o seu sono, faz você deixar de lado cuidados necessários ou se espalha para muitos outros assuntos. Um médico, a Unidade Básica de Saúde (UBS), que atende pelo SUS sem custo, ou um psicólogo ou psiquiatra podem avaliar se é uma fobia, ansiedade generalizada ou outra coisa, e a terapia cognitivo-comportamental costuma ajudar a lidar com os pensamentos catastróficos. Se você também enfrenta dificuldades financeiras reais, buscar apoio para a parte prática e para a parte emocional ao mesmo tempo costuma aliviar. Se o ânimo estiver baixo ou você se sentir muito sozinho com esse peso, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de ficar pobre, ela costuma ser usada para explorar de onde vem a sensação de que nunca é suficiente, como uma fase difícil na família, e para acalmar a reação de alarme que aparece ao conferir o saldo ou pagar um boleto. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem a orientação profissional, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é peniafobia?

É o nome dado ao medo intenso de ficar pobre ou sem dinheiro. Não é um diagnóstico com nome próprio nos manuais clínicos, mas, quando o medo é desproporcional, dura muito tempo e atrapalha a vida diária, ele se encaixa no que se descreve como uma fobia específica.

É normal se preocupar tanto com dinheiro?

Se preocupar com dinheiro é muito comum, principalmente em épocas de incerteza ou quando há dificuldades reais. Vira um problema quando a preocupação não diminui mesmo com a situação estável, ocupa grande parte do dia ou impede você de aproveitar o que tem.

Medo de ficar pobre é ansiedade generalizada?

Os dois podem estar ligados. Se o medo gira quase só em torno do dinheiro, fala-se de um medo específico. Se a preocupação se espalha também para a família, o trabalho ou a saúde e aparece na maioria dos dias por pelo menos seis meses, um médico ou psicólogo pode avaliar se é um transtorno de ansiedade generalizada.

Como parar de ter medo de ficar sem dinheiro?

Costuma ajudar separar os problemas reais, que podem ser resolvidos com passos concretos, das preocupações com o que poderia acontecer. Limitar as conferências de saldo e o noticiário econômico também reduz o alarme. Se o medo é muito forte, a terapia cognitivo-comportamental e a hipnoterapia trabalham o medo em si.

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