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Há pessoas que deixaram de andar de bicicleta, de nadar ou de jogar uma pelada com os amigos porque não conseguem tirar da cabeça a ideia de uma queda que as deixe sem mexer braços e pernas. Outras leem a notícia de um acidente e passam dias imaginando que aquilo acontece com elas.
Entendendo esse medo
A quadriplegifobia é um medo intenso e persistente de sofrer uma lesão que paralise os braços e as pernas, o que na medicina se chama quadriplegia ou tetraplegia. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica: um medo duradouro, muito maior do que o risco real, que leva a evitar tudo o que lembra o assunto. Tomar precauções, como usar o cinto de segurança, é sensato. Na fobia, a preocupação aparece mesmo sem nenhum perigo por perto e ocupa muito espaço no dia.
É um medo sobre o que poderia acontecer com o próprio corpo, e não uma rejeição às pessoas que vivem com paralisia. Algumas pessoas temem principalmente uma pancada no pescoço ou nas costas, em um esporte, uma queda ou um acidente de trânsito. Outras se angustiam com cada formigamento ou rigidez, e há quem tema mais perder a independência do que a lesão em si. Pode vir junto com o medo de se machucar, de altura ou de hospitais.
Gatilhos comuns
- Notícias de acidentes ou de lesões na coluna
- Ver uma queda feia em um jogo ou competição
- Esportes de contato ou radicais
- Pular na água ou entrar no mar
- Subir em escada alta ou no telhado
- Viagens longas de carro ou de moto
- Um formigamento ou torcicolo no pescoço
- Cenas de hospital em filmes ou novelas
Onde ele aparece
- Quadras, academias e campos de futebol
- Piscinas, rios, cachoeiras e praias
- Parques de diversão
- Ruas e rodovias
- Trabalhos com escada ou em altura
- Consultórios e hospitais
- Internet, ao pesquisar sintomas ou notícias
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado diante de um movimento brusco
- Tensão constante no pescoço e nas costas
- Suor e tremores
- Respiração curta
- Tontura ou frio na barriga
- Dificuldade para dormir depois de uma notícia
Na mente
- Imagens repetidas de uma queda ou de um acidente
- Certeza de que qualquer pancada pode terminar em paralisia
- Preocupação em perder a independência
- Interpretar um formigamento como sinal de algo grave
- Saber que o medo é exagerado e não conseguir freá-lo
O que a pessoa costuma fazer
- Largar esportes ou atividades de que gostava
- Evitar piscina, mar ou brinquedos de parque
- Se mexer com rigidez para proteger o pescoço
- Pesquisar sintomas na internet várias vezes
- Pedir exames repetidos sem um motivo novo
- Limitar muito as atividades dos filhos
O que causa esse medo
Muitas vezes há uma experiência próxima por trás: um acidente com a própria pessoa, a lesão de um familiar ou de um amigo, ou uma notícia que marcou muito. Histórico de ansiedade na família e um temperamento mais sensível ao perigo também influenciam. As lesões graves da medula espinhal costumam ser causadas por impactos fortes, como acidentes de trânsito, quedas ou mergulhos em água rasa, mas a mente com medo tende a enxergar esse risco em movimentos do dia a dia. Evitar atividades traz alívio na hora, e esse alívio mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo pode tirar da pessoa atividades de que ela gostava, como nadar ou jogar bola com os amigos, e junto com elas parte da vida social. Há quem passe muito tempo conferindo sintomas ou pedindo exames, o que alimenta a preocupação em vez de acalmá-la. Em mães e pais, pode levar a proteger demais os filhos. Com o tempo, a vida fica menor e podem surgir frustração ou desânimo.
O que pode ajudar no dia a dia
- Tomar precauções razoáveis, como usar o cinto de segurança e o equipamento de proteção nos esportes e nunca pular na água sem conhecer a profundidade
- Pôr um limite nas pesquisas de sintomas e de notícias de acidentes na internet
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Voltar aos poucos a atividades leves de que gostava, como caminhar ou nadar em lugares seguros
- Falar sobre o que sente com alguém próximo
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo fez você largar atividades importantes ou se você passa muito tempo conferindo sintomas. Um médico, a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra podem avaliar o que está acontecendo, e a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é o tratamento mais usado nas fobias específicas. Se você nota fraqueza, dormência ou formigamento que não passam, procure um médico. Diante de uma perda repentina de força ou de sensibilidade, ou depois de uma pancada forte na cabeça, no pescoço ou nas costas, ligue para o SAMU (192); se a pessoa ferida for outra, não a movimente. Se o ânimo estiver baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de ficar paralisado, ela costuma ser usada para entender o que alimenta a preocupação, como um acidente próximo ou uma notícia, e para ensaiar na imaginação as atividades que foram deixadas de lado, como nadar ou praticar esporte, até que pareçam possíveis outra vez. Também é usada para diminuir a tensão do corpo e a reação de alarme diante de um movimento brusco. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é quadriplegifobia?
É um medo intenso e persistente de sofrer uma lesão que deixe os braços e as pernas paralisados. Não é um diagnóstico com nome próprio nos manuais clínicos, mas quando o medo dura muito tempo, causa muito sofrimento e leva a pessoa a abandonar atividades comuns, ele se encaixa no que se descreve como fobia específica.
Qual a diferença entre tetraplegia e paraplegia?
A tetraplegia, também chamada de quadriplegia, é uma paralisia que afeta os braços, as mãos, o tronco, as pernas e os órgãos da pelve. A paraplegia afeta a metade inferior do corpo. As duas costumam ser causadas por uma lesão na medula espinhal, e a reabilitação e as tecnologias assistivas ajudam muitas pessoas a ganhar autonomia nas tarefas do dia a dia.
Formigamento nas mãos pode ser sinal de paralisia?
O formigamento pode ter muitas causas, e só um médico pode avaliar o que o provoca no seu caso, então procure um médico ou a UBS em vez de buscar respostas na internet. Se a perda de força ou de sensibilidade aparecer de repente, ou depois de uma pancada forte, ligue para o SAMU (192).
Como superar o medo de ficar paralisado?
Costuma ajudar combinar precauções razoáveis com uma volta gradual às atividades que foram deixadas de lado, e pôr limites na pesquisa de sintomas. Se o medo é forte, a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é a abordagem mais usada nas fobias específicas, e a hipnoterapia também é usada para trabalhar a reação de alarme.
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