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Quase ninguém gosta de lidar com fezes, e sentir nojo delas é uma reação normal que protege a saúde. Para algumas pessoas, porém, ver, sentir o cheiro ou só imaginar fezes provoca uma ansiedade tão forte que ir ao banheiro, trocar uma fralda ou fazer a limpeza da casa vira uma tarefa muito difícil.
Entendendo esse medo
A coprofobia é um medo ou uma aversão intensa e persistente a fezes. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica, a partir do que se sabe sobre esses medos em geral. Diferente do nojo comum, na fobia a reação é muito maior do que a situação pede, aparece até com quantidades mínimas ou só de pensar no assunto e leva a pessoa a evitar tarefas do dia a dia.
Vale diferenciar a coprofobia de outros problemas parecidos. O medo de usar o banheiro quando há outras pessoas por perto, por vergonha de que ouçam ou sintam algum cheiro, tem mais a ver com a ansiedade social. Quando a preocupação gira em torno de se contaminar, com lavagens ou limpezas que a pessoa não consegue parar de repetir, pode se tratar de um transtorno obsessivo-compulsivo, e o indicado é conversar com um profissional. A coprofobia pode aparecer sozinha ou junto com esses problemas.
Gatilhos comuns
- Ver fezes no vaso sanitário
- O cheiro de um banheiro
- Trocar uma fralda
- Limpar o banheiro
- Recolher as fezes de um animal de estimação
- Fezes de animais na calçada ou na praça
- Uma mancha na roupa ou na roupa de cama
- Exames que pedem uma amostra de fezes
Onde ele aparece
- O banheiro de casa
- Banheiros públicos, do trabalho ou da escola
- Creches e lugares com crianças pequenas
- Hospitais, casas de repouso e trabalhos de cuidado
- Praças, calçadas e áreas com cachorros
- Sítios, fazendas e lugares com animais
- O cuidado de um familiar doente ou idoso
Sintomas
No corpo
- Enjoo ou ânsia de vômito
- Coração disparado
- Suor
- Tremores
- Respiração curta
- Tontura
- Tensão no estômago
Na mente
- Um nojo avassalador difícil de controlar
- Medo intenso de se contaminar ou ficar doente
- Vergonha de um medo difícil de contar
- Medo de vomitar ou de perder o controle
- Angústia antecipada antes de ir ao banheiro
O que a pessoa costuma fazer
- Segurar a vontade de ir ao banheiro por muito tempo
- Dar descarga várias vezes seguidas
- Lavar as mãos repetidamente
- Evitar trocar fraldas ou ajudar outras pessoas no banheiro
- Pedir a outras pessoas que limpem o banheiro
O que causa esse medo
Não se conhece uma causa única. O nojo é uma reação natural diante das fezes, mas em algumas pessoas ele é tão intenso que acaba virando medo. Uma experiência desagradável, como um episódio constrangedor na infância ou na fase de largar a fralda, ou uma doença intestinal, pode deixar o assunto carregado de angústia. Problemas físicos, como intestino preso ou evacuações doloridas, também podem ligar o banheiro a mal-estar. Um histórico de ansiedade na família ou um temperamento mais ansioso aumentam a chance. Evitar tudo o que está ligado ao tema mantém essa associação viva.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo mexe com tarefas que fazem parte da rotina. Tem quem segure a vontade de ir ao banheiro o máximo possível, evite banheiros fora de casa ou reduza passeios e viagens. Para mães, pais e cuidadores, trocar fraldas ou ajudar alguém no banheiro pode virar fonte de angústia e de culpa. O medo também pode pesar na escolha de um trabalho ou na decisão de ter um cachorro ou um gato. Como é um assunto difícil de conversar, muitas pessoas vivem isso em silêncio e com vergonha.
O que pode ajudar no dia a dia
- Lembrar que o nojo é uma reação normal e que a meta é ele deixar de comandar a sua vida, não sumir
- Usar luvas, saquinhos ou produtos de limpeza que deem mais segurança na hora de trocar fraldas ou limpar
- Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Reservar um momento tranquilo e sem pressa para ir ao banheiro em casa, em vez de segurar a vontade
- Conversar sobre o assunto com alguém de confiança para tirar o peso da vergonha
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você evitar o banheiro ou segurar a vontade por horas, se impede você de cuidar dos seus filhos ou de um familiar como gostaria, ou se leva você a se lavar ou limpar repetidamente. Se ir ao banheiro causa dor, se o intestino preso é frequente ou se você nota mudanças no funcionamento do intestino, procure um médico, porque esses sintomas precisam ser avaliados. Se for pedido um exame de fezes ou outro exame, não deixe de fazer por causa do medo; conte ao médico o que acontece para receber orientação. Se a ansiedade está atrapalhando a rotina, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de fezes, ela costuma ser usada para diminuir a intensidade do nojo e da reação automática de alarme. Também é comum ensaiar na imaginação tarefas concretas, como trocar uma fralda ou limpar o banheiro, enquanto o corpo se mantém calmo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
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Perguntas frequentes
O que é coprofobia?
É um medo ou uma aversão intensa e persistente a fezes, que leva a pessoa a evitar ver, sentir o cheiro ou tocar nelas até em tarefas do dia a dia. Ela é entendida como uma fobia específica quando a reação é desproporcional e começa a limitar a rotina.
É normal sentir nojo de fezes?
Sim. O nojo diante das fezes é uma reação natural que ajuda a proteger contra infecções, e quase todo mundo sente. Fala-se em fobia quando essa aversão fica tão intensa que provoca ansiedade ou pânico e obriga a pessoa a evitar coisas necessárias, como ir ao banheiro ou cuidar de um bebê.
Coprofobia é a mesma coisa que medo de usar o banheiro?
Não exatamente. A coprofobia é o medo das fezes em si. O medo de usar o banheiro, principalmente fora de casa ou com outras pessoas por perto, costuma estar mais ligado à vergonha ou à ansiedade social. As duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo, e um profissional pode ajudar a diferenciar.
Como lidar com a coprofobia na hora de trocar fraldas?
Pode ajudar deixar tudo preparado antes, usar luvas se isso der segurança, respirar devagar e lembrar que a tarefa dura pouco. Dividir algumas trocas com outra pessoa enquanto você busca ajuda também é válido. Se o medo traz muita angústia ou culpa, converse com um psicólogo ou outro profissional de saúde mental.
Coprofobia tem tratamento?
Sim. As fobias específicas costumam responder bem à ajuda psicológica, principalmente à terapia de exposição gradual e à terapia cognitivo-comportamental. Se também houver lavagens ou limpezas repetidas, o profissional pode avaliar se existe um problema obsessivo-compulsivo e orientar o tratamento.
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