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Tem gente que sai da festa de aniversário assim que começa o teatrinho de fantoches, ou que muda de canal quando aparece um boneco de ventríloquo. Outras pessoas não suportam ver uma marionete pendurada em uma loja de artesanato, mesmo sabendo muito bem que ela é feita de madeira e pano.
Entendendo esse medo
A pupafobia é um medo intenso e persistente de fantoches e marionetes. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica: um medo desproporcional diante de algo que representa pouco ou nenhum perigo real e que leva a pessoa a evitá-lo. Muita gente sente um leve incômodo com um boneco de ventríloquo. Na fobia, a aflição pode aparecer só de ver uma foto ou um vídeo.
O que mais assusta muda de pessoa para pessoa. Para algumas, é o rosto: olhos que não piscam, uma boca que abre e fecha, um sorriso que nunca muda. Para outras, é o movimento, parecido com o humano e ao mesmo tempo estranho, ou a sensação de que o boneco tem vontade própria. Esse medo costuma aparecer junto com o medo de bonecas, de palhaços ou de manequins, e pode começar na infância ou mais tarde.
Gatilhos comuns
- Um teatrinho de fantoches em uma festa ou na escola
- Bonecos de ventríloquo
- Marionetes de fio em movimento
- Rostos com olhos fixos ou boca articulada
- Um fantoche que aparece de surpresa
- Filmes e séries de terror com bonecos
- Vídeos e fotos de bonecos nas redes sociais
- Fantoches de bichos que falam como gente
Onde ele aparece
- Festas infantis e aniversários
- Teatros e festivais de bonecos
- Escolas, creches e atividades para crianças
- Feiras de artesanato e apresentações de mamulengo
- Blocos de carnaval com bonecos gigantes
- Museus e exposições
- Lojas de brinquedos
- Programas infantis de televisão
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ao ver um fantoche
- Suor
- Tremores
- Tontura
- Falta de ar ou aperto no peito
- Sobressalto a qualquer movimento do boneco
Na mente
- Sensação de que o boneco olha ou segue a pessoa
- Medo de que ele se mexa sozinho
- Cenas de filmes que voltam à cabeça
- Preocupação dias antes de uma festa infantil
- Saber que o medo é exagerado e não conseguir controlá-lo
- Vergonha de um medo que os outros levam na brincadeira
O que a pessoa costuma fazer
- Sair da sala quando a apresentação começa
- Perguntar antes se vai ter fantoches na festa
- Evitar feiras, museus ou lojas de brinquedos
- Mudar de canal ou fechar vídeos
- Ir a certos lugares só com companhia
- Pedir que tirem ou cubram marionetes usadas como enfeite
O que causa esse medo
Como em outras fobias específicas, muitas vezes há um susto na infância por trás, por exemplo um fantoche que apareceu de repente em uma apresentação ou que tinha uma aparência assustadora. O cinema e a televisão também pesam, porque costumam mostrar bonecos como algo sinistro. Alguns especialistas relacionam esse medo à ideia do vale da estranheza, proposta pelo professor de robótica japonês Masahiro Mori: quanto mais algo se parece com uma pessoa sem ser uma, mais aversão pode provocar. Histórico de ansiedade na família e um temperamento mais sensível também podem contribuir. Evitar os fantoches traz alívio na hora, e esse alívio mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
Para muita gente, esse medo incomoda pouco. Ele vira um problema quando faz a pessoa perder aniversários, apresentações na escola dos filhos ou passeios em família, ou quando a aflição começa dias antes de um evento. Alguns pais e mães sentem culpa por não conseguirem acompanhar os filhos a um teatrinho. A vergonha também pesa: é um medo que os outros costumam levar na brincadeira, e por isso muitas pessoas não falam sobre ele e o vivem sozinhas.
O que pode ajudar no dia a dia
- Lembrar que sentir aversão a figuras quase humanas é uma reação comum e não diz nada de ruim sobre você
- Perguntar se vai ter fantoches em um evento, para decidir com antecedência
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando a ansiedade aparecer
- Se tiver vontade, se aproximar aos poucos com desenhos e depois com vídeos de como os bonecos são feitos
- Olhar o fantoche junto com a pessoa que o manipula, para lembrar quem está por trás
- Contar o que sente a alguém de confiança, em vez de carregar isso sozinho
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você faltar a momentos importantes da família, se só de pensar em um fantoche você entra em pânico ou se a ansiedade aparece também com bonecas, palhaços, máscaras ou outras situações. Um médico, a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra podem avaliar o que está acontecendo. A terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é o tratamento mais usado nas fobias específicas. Se o medo aparece em uma criança, dura meses e a impede de aproveitar atividades normais, converse com o pediatra.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de fantoches e marionetes, ela costuma ser usada para rever de onde vem a reação, como um susto em uma festa infantil, e para ensaiar na imaginação uma cena com bonecos até conseguir olhar para ela com mais calma. Também é usada para diminuir a reação de alarme diante de um rosto fixo ou de um movimento brusco do boneco. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
Como se chama o medo de fantoches?
É conhecido como pupafobia. Não é um diagnóstico com nome próprio nos manuais clínicos, mas quando o medo é intenso, dura muito tempo e leva a pessoa a evitar situações comuns, ele se encaixa no que se descreve como fobia específica. Alguns autores o incluem no medo de figuras que imitam pessoas, como bonecas, manequins ou robôs.
Por que boneco de ventríloquo dá medo?
Ele tem um rosto quase humano, uma boca que se mexe e uma voz que parece sair dele, e isso cria a sensação de algo vivo que na verdade não está. A ideia do vale da estranheza descreve essa aversão ao que se parece muito com uma pessoa sem ser uma. Além disso, os filmes de terror já usaram esses bonecos muitas vezes como personagens sinistros.
É normal criança ter medo de fantoche?
Muitas crianças se assustam com fantoches, fantasias ou personagens grandes, e a maioria desses medos passa com o tempo. Ajuda não obrigar a criança a chegar perto, ouvir o que ela sente e, se ela quiser, mostrar como um fantoche é manipulado. Se o medo dura meses ou a impede de aproveitar festas e atividades, vale conversar com o pediatra.
Como perder o medo de fantoches?
Costuma ajudar ir passo a passo, do que assusta menos para o que assusta mais: desenhos, fotos, vídeos e, mais adiante, um fantoche de verdade nas mãos de alguém de confiança. Se o medo é forte, a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é a abordagem mais usada nas fobias específicas, e a hipnoterapia também é usada para trabalhar a reação de alarme.
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