Medo de contagiar outras pessoas (tapinofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Tem gente que passa dias sem abraçar os filhos ou os pais porque está com um resfriado leve, ou que lava as mãos tantas vezes que a pele racha. Outras pessoas deixam de visitar os avós ou uma amiga grávida com a ideia de que poderiam levar uma doença sem perceber.

Entendendo esse medo

A tapinofobia é um medo intenso e persistente de transmitir uma doença a outras pessoas. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é mais bem entendido como uma fobia específica, ou seja, um medo desproporcional ao risco real. Cuidar dos outros quando se está doente é sensato. Na fobia, a preocupação aparece mesmo quando a pessoa está bem ou o risco é mínimo, e a leva a se isolar ou a se lavar demais.

Diferente do medo de ficar doente, aqui o centro é o mal que a pessoa poderia causar aos outros, por isso ele costuma vir acompanhado de culpa. Muitas vezes o foco são bebês, idosos ou alguém com a saúde frágil. Quando os pensamentos sobre contaminar os outros se repetem muito e levam a rituais de lavagem ou limpeza difíceis de controlar, isso pode fazer parte do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), algo que precisa ser avaliado por um profissional.

Gatilhos comuns

  • Estar com tosse, espirro ou um resfriado leve
  • Notícias sobre surtos ou epidemias
  • Pegar um bebê no colo ou tocar em uma pessoa idosa
  • Dividir comida, copo, talheres ou a cuia do chimarrão
  • Cumprimentar com aperto de mão, abraço ou beijo no rosto
  • Saber que alguém próximo ficou doente depois de um encontro

Onde ele aparece

  • Em casa, com quem divide a vida e com os filhos
  • Visitas aos avós ou a parentes com a saúde frágil
  • O trabalho, principalmente em saúde, escolas ou cozinhas
  • O cuidado de crianças pequenas
  • Épocas de gripe e de outras infecções respiratórias

Sintomas

No corpo

  • Tensão ou aperto no estômago
  • Coração acelerado ao notar um sintoma leve
  • Suor ou tremor nas mãos
  • Pele seca ou irritada de tanto lavar
  • Dificuldade para dormir

Na mente

  • Culpa antecipada por um contágio que não aconteceu
  • Achar que deixou germes em alguma coisa
  • Imaginar que alguém querido adoeceu por sua causa
  • Não conseguir se acalmar mesmo quando os outros tranquilizam
  • Sentir-se um perigo para os outros

O que a pessoa costuma fazer

  • Lavar as mãos de novo e de novo
  • Limpar ou desinfetar objetos mais do que o necessário
  • Evitar abraços, beijos ou contato com crianças e idosos
  • Desmarcar visitas e programas diante de qualquer sintoma
  • Pesquisar sintomas na internet várias vezes

O que causa esse medo

Raramente há uma causa única. Às vezes o medo começa depois que alguém da família adoeceu e a pessoa se sentiu responsável, ou depois de uma epidemia em que se insistiu muito em proteger os outros. Também pode pesar ter crescido em um ambiente em que a limpeza e o medo de germes eram muito fortes. Histórico de ansiedade na família, um temperamento mais sensível e um senso de responsabilidade muito grande podem aumentar o risco. Lavar, limpar ou se isolar alivia na hora, mas ensina à mente que o perigo era real, e o medo volta. Pedir aos outros que confirmem toda hora que está tudo bem funciona do mesmo jeito.

Como pode afetar a sua vida

Esse medo pode afastar a pessoa justamente de quem ela mais ama: ela deixa de abraçar os filhos, de visitar os pais ou de ir aos encontros de família. Algumas pessoas faltam ao trabalho com medo de contaminar os colegas. A lavagem excessiva pode irritar a pele e tomar muito tempo todos os dias. A culpa e o isolamento podem trazer tristeza ou desânimo, e as pessoas próximas podem se sentir rejeitadas. Se você anda muito desanimado ou sozinho, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Seguir as medidas de higiene recomendadas pelas autoridades de saúde, sem acrescentar etapas nem repetições
  • Pôr um limite nas pesquisas de sintomas na internet, porque checar sem parar alimenta a preocupação
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando vier a urgência de se lavar
  • Quando sentir o impulso de lavar as mãos de novo sem necessidade, esperar alguns minutos e notar que a ansiedade baixa sozinha
  • Contar o que está acontecendo a alguém de confiança, em vez de pedir que essa pessoa confirme toda hora que está tudo bem

Quando procurar ajuda

Se você tem sintomas reais, como febre, tosse que não passa ou um mal-estar que preocupa, procure um médico ou a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Em caso de dor no peito repentina ou dificuldade para respirar, ligue para o SAMU (192). Vale buscar ajuda para o medo em si se ele afasta você das pessoas que ama, se a lavagem ou a limpeza machuca a pele ou toma tempo todos os dias, ou se a culpa não dá trégua. Converse com um médico ou procure um psicólogo ou psiquiatra. Quando há lavagens e rituais, a terapia cognitivo-comportamental é muito usada, principalmente a exposição com prevenção de resposta.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de contagiar outras pessoas, ela costuma ser usada para acalmar o alarme automático diante de um sintoma leve. Também é comum ensaiar na imaginação situações como abraçar alguém da família ou dividir uma refeição, e treinar a tolerância à incerteza sem recorrer à lavagem repetida. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é tapinofobia?

É um medo intenso e persistente de transmitir uma doença a outras pessoas. Vai além da prudência normal de quem está doente, porque aparece mesmo quando a pessoa está bem e a leva a se isolar, a evitar contato ou a se lavar demais.

É normal ter medo de passar doença para a família?

Querer proteger a família é normal, principalmente quando há bebês, idosos ou alguém doente em casa. Vira um problema quando o medo é constante, aparece sem sintomas reais e impede você de ficar perto dessas pessoas. Se houver dúvida sobre um sintoma, o mais útil é consultar um médico.

Tapinofobia é um tipo de TOC?

Nem sempre, mas os dois podem estar ligados. O medo de passar uma doença aos outros é uma preocupação frequente no transtorno obsessivo-compulsivo, principalmente quando vem com lavagens, limpeza ou checagens difíceis de controlar. Só um profissional de saúde mental pode avaliar o que acontece no seu caso.

Lavar muito as mãos ajuda a tirar o medo?

Lavar as mãos nos momentos recomendados pelas autoridades de saúde é um bom hábito. Lavar de novo e de novo para acalmar a angústia costuma ter o efeito contrário, porque alivia por um instante, reforça o medo e pode irritar a pele.

Dá para superar o medo de contagiar os outros?

Sim. Esse tipo de medo costuma responder bem à terapia cognitivo-comportamental, em especial à exposição com prevenção de resposta, que ensina aos poucos a tolerar a dúvida sem recorrer a rituais. Pedir ajuda cedo costuma encurtar o caminho.

Leia mais

Manual MSD Versão Saúde para a Família: Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) · International OCD Foundation: Miedos a la contaminación obsesivo-compulsivos · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas