Medo de comida (cibofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Tem gente que olha para o prato e, em vez de fome, sente alarme: será que está bom? Quem fez? E se fizer mal? De fora, pode parecer só capricho ou exigência com a comida, mas por dentro existe um medo que volta a cada refeição e cansa muito.

Entendendo esse medo

A cibofobia, também chamada de sitofobia, é um medo intenso e persistente de comida ou do ato de comer. Pode envolver quase todos os alimentos ou só alguns, como os que estragam com facilidade, os desconhecidos ou os preparados por outras pessoas. O medo costuma estar no que a comida poderia causar: passar mal, ter uma intoxicação alimentar, uma reação, vomitar ou engasgar. É uma fobia específica, um tipo de transtorno de ansiedade, e o medo é muito maior do que o risco real.

Vale separar esse medo dos transtornos alimentares. Na anorexia ou na bulimia, a preocupação central costuma girar em torno do peso, da forma ou do corpo. Na cibofobia, o medo está no mal que a comida poderia fazer. Existe ainda o transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE), em que a pessoa come muito pouco ou evita muitos alimentos sem preocupação com a forma do corpo, às vezes por acreditar que comer pode trazer consequências ruins. Os limites entre essas condições nem sempre são claros, e só um profissional pode avaliar cada caso.

Gatilhos comuns

  • Comida com aparência ou cheiro diferente do esperado
  • A data de validade dos alimentos
  • Pratos preparados por outras pessoas
  • Alimentos que você não conhece
  • Comida que sobrou de outro dia
  • Notícias sobre intoxicação alimentar ou produtos recolhidos
  • Sentir um desconforto no estômago depois de comer
  • Conversas sobre alimentos bons e ruins

Onde ele aparece

  • Restaurantes, lanchonetes e restaurantes a quilo
  • Comida de rua, como pastel de feira ou cachorro-quente
  • Casa de amigos ou parentes
  • Festas, casamentos, churrascos e festas juninas
  • Viagens e refeições em lugares desconhecidos
  • Refeitórios da escola ou do trabalho
  • O supermercado ou a feira
  • Em casa, ao cozinhar ou abrir a geladeira

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado diante da comida
  • Enjoo ou nó no estômago
  • Garganta apertada
  • Suor e tremores
  • Tontura
  • Pouco apetite quando a ansiedade sobe

Na mente

  • Medo de passar mal ou se intoxicar
  • Dúvidas constantes sobre se algo está bom para comer
  • Pensar com preocupação na próxima refeição
  • Desconfiança da comida que outra pessoa preparou
  • Alívio só quando a refeição termina
  • Vergonha de um medo que os outros não entendem

O que a pessoa costuma fazer

  • Conferir a comida várias vezes
  • Comer só um grupo pequeno de alimentos que parecem seguros
  • Jogar comida fora por medo de que esteja estragada
  • Pedir para outras pessoas confirmarem que algo pode ser comido
  • Evitar restaurantes e refeições na casa dos outros
  • Inventar desculpas para não comer junto com outras pessoas

O que causa esse medo

Muitas vezes o medo aparece depois de uma experiência ruim com comida, como uma intoxicação alimentar, uma reação alérgica, um engasgo ou ver alguém passar por isso. Outras vezes ele cresce aos poucos, com mensagens ansiosas sobre germes, histórias de alimentos contaminados ou a ideia de que existem comidas limpas e sujas. Ter parentes com fobias ou com problemas de ansiedade também pode pesar. Evitar, conferir e pedir confirmação aliviam na hora, mas cada vez que isso acontece a mente aprende que a comida é uma ameaça, e o medo fica mais forte.

Como pode afetar a sua vida

A cibofobia pode ir encolhendo os lugares onde a pessoa come, com quem come e o que se permite comer. Há quem deixe de ir a restaurantes, viagens, churrascos e almoços de domingo com a família, e quem passe muito tempo conferindo e preparando a comida. Isso afeta a vida social, a energia e o humor, e pode criar tensão em casa. Quando o medo leva a comer muito pouco, a perder peso ou a se preocupar muito com a forma do corpo, já existe um risco para a saúde, e o primeiro passo é conversar com um médico ou um profissional de saúde mental.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Conversar com um médico se o medo já mudou o que você come, para avaliar a sua saúde geral
  • Anotar em que momentos o medo aparece e que pensamentos vêm junto, para levar a um profissional
  • Treinar uma respiração lenta quando o alarme subir, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Diminuir as buscas por notícias e vídeos sobre intoxicação ou alimentos perigosos
  • Contar a alguém de confiança o que está acontecendo, para não carregar o medo em silêncio

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo de comida ocupa os seus pensamentos quase todos os dias, ou se impede você de comer fora, viajar, trabalhar ou dividir a mesa com a família. Se você está comendo muito pouco, perdendo peso, se sente sem energia ou se preocupa muito com a forma do corpo, converse o quanto antes com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se você tem uma alergia alimentar diagnosticada, siga as orientações do seu médico e conte a ele se o medo já vai muito além delas. Se o ânimo estiver muito baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de comida, ela costuma ser usada para entender de onde vem o medo, como uma experiência ruim específica, e para acalmar a reação de alarme que dispara diante do prato. Também é usada para ensaiar na imaginação uma refeição tranquila, em casa ou com outras pessoas, até que ela pareça mais possível. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o tratamento de um transtorno alimentar, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é cibofobia?

É um medo intenso e persistente de comida ou do ato de comer, também chamado de sitofobia. Costuma estar ligado ao que a comida poderia causar, como passar mal, se intoxicar ou engasgar. É uma fobia específica, um tipo de transtorno de ansiedade, e pode envolver todos os alimentos ou só alguns.

Cibofobia é um transtorno alimentar?

Não exatamente. É uma fobia, e o medo está no mal que a comida poderia fazer, não no peso ou na forma do corpo, como costuma acontecer na anorexia ou na bulimia. Mesmo assim, ela pode mudar muito o jeito de comer. Se o medo leva você a comer muito pouco, a perder peso ou a se preocupar com o corpo, converse com um médico ou um profissional de saúde mental.

O que é TARE e o que tem a ver com o medo de comer?

O TARE, ou transtorno alimentar restritivo evitativo, é um transtorno em que a pessoa come muito pouco ou evita muitos alimentos sem preocupação com a forma do corpo. Em algumas pessoas, ele está ligado à ideia de que comer pode ter consequências ruins. Só um profissional pode avaliar se o caso é de fobia, de TARE ou de outra coisa.

O que fazer quando uma criança tem medo de comer?

Muitas crianças passam por fases em que recusam alimentos, e isso costuma passar. Se a criança come muito pouco, perde peso, não cresce como esperado ou fica muito angustiada diante da comida, leve-a logo ao pediatra ou a um médico da UBS.

Dá para superar o medo de comida?

Sim, é um medo que pode ser trabalhado. A terapia cognitivo-comportamental, com exposição gradual guiada por um profissional, é uma das abordagens mais usadas, e a hipnoterapia também é usada para esse medo. Quando a alimentação já foi afetada, costuma ajudar que o médico e o profissional de saúde mental trabalhem juntos.

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