Medo de buracos (tripofobia)

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Para algumas pessoas, basta ver um favo de mel, uma flor de lótus seca ou a superfície de uma bucha para sentir um arrepio que percorre o corpo inteiro. Muitas desviam o olhar na hora, e algumas continuam sentindo coceira na pele ou enjoo por um bom tempo depois de ver a imagem.

Entendendo esse medo

A tripofobia é uma aversão intensa a grupos de pequenos buracos ou bolinhas repetidos e muito próximos, como os de um favo de mel, da vagem da semente de lótus ou de uma esponja. Embora seja chamada de medo de buracos, muita gente descreve sobretudo nojo, e por isso os especialistas ainda discutem se ela é uma fobia no sentido estrito. O nome surgiu na internet, por volta de 2009. A tripofobia não aparece como transtorno próprio no DSM-5, o manual de diagnóstico mais usado em saúde mental, mas as reações são reais.

A intensidade muda muito de uma pessoa para outra. Tem quem sinta um incômodo passageiro, e tem quem fique com a imagem na cabeça por horas. O mal-estar costuma aumentar quanto mais de perto se vê o padrão ou quanto mais ele lembra pele.

Gatilhos comuns

  • Favos de mel e ninhos de vespa
  • Vagens de semente de lótus
  • Buchas vegetais, esponjas naturais e pedra-pomes
  • Morangos ou romãs vistos de perto
  • Bolhas na massa de panqueca ao cozinhar
  • Queijos com furos e pães com sementes
  • Corais
  • A pele de algumas cobras e sapos
  • Erupções, espinhas ou casquinhas na pele
  • Imagens editadas nas redes sociais

Onde ele aparece

  • Redes sociais e vídeos curtos
  • A cozinha, ao cortar frutas ou preparar massas
  • A seção de hortifrúti do supermercado ou a feira
  • O banheiro, com buchas e esponjas
  • Jardins com flores secas ou colmeias
  • Aquários e documentários de natureza
  • Livros de biologia ou imagens médicas de pele
  • Tecidos, solas de sapato e objetos com padrões repetidos

Sintomas

No corpo

  • Arrepios e pele arrepiada
  • Coceira ou sensação de algo andando na pele
  • Enjoo ou ânsia de vômito
  • Suor e coração acelerado
  • Tremores
  • Respiração rápida ou boca seca
  • Incômodo nos olhos e vontade de fechá-los

Na mente

  • Nojo intenso que demora a passar
  • Sensação de que aquilo está doente ou contaminado
  • A imagem volta à cabeça várias vezes
  • Inquietação com a chance de topar com outra imagem parecida
  • Vergonha de reagir assim a algo que os outros acham normal
  • Medo de que o mal-estar vire uma crise de ansiedade

O que a pessoa costuma fazer

  • Desviar o olhar na mesma hora
  • Passar rápido as postagens ou silenciar palavras nas redes
  • Evitar alguns alimentos ou texturas
  • Coçar ou esfregar a pele depois de ver uma imagem
  • Pedir aos outros que não mostrem certas fotos
  • Evitar documentários ou lugares onde esses padrões podem aparecer

O que causa esse medo

Ainda não se sabe ao certo por que a tripofobia aparece. Uma das explicações mais citadas vem dos pesquisadores Geoff Cole e Arnold Wilkins, da Universidade de Essex, no Reino Unido, que em 2013 propuseram que esses padrões lembram sinais de perigo, como a pele de alguns animais venenosos. Outra linha de estudo sugere que eles lembram doenças de pele contagiosas ou parasitas, e que o nojo funcionaria como uma defesa automática. Há ainda a hipótese de que padrões densos e irregulares exigem mais esforço do sistema visual. Algumas fontes apontam que a reação é mais comum em mulheres e em pessoas com ansiedade, depressão ou transtorno obsessivo-compulsivo. Cada vez que desviar o olhar traz alívio, o cérebro confirma que a imagem era uma ameaça.

Como pode afetar a sua vida

Para muita gente, a tripofobia é um incômodo ocasional que não muda a rotina. Para outras pessoas, pesa bem mais. Tem quem deixe de comer certas frutas ou abra as redes sociais tenso, com medo de aparecer uma imagem. Brincadeiras de quem mostra fotos de propósito podem causar muito sofrimento. Quando a reação é forte, pode atrapalhar o trabalho, os estudos ou a vida social, e às vezes vem junto com insônia, irritação ou crises de pânico.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Alongar a expiração assim que a reação começar, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Dar nome ao que você sente, por exemplo nojo, e lembrar que é uma reação do corpo e não um perigo real
  • Usar os filtros de conteúdo e a opção de silenciar palavras nas suas redes sociais
  • Pedir com calma às pessoas próximas que não mostrem essas imagens como brincadeira
  • Levar a atenção para cinco coisas que você pode ver ou tocar à sua volta até o mal-estar baixar

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se a reação faz você evitar alimentos, lugares ou atividades importantes, se provoca crises de pânico ou se você percebe que está dormindo mal ou mais desanimado. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Mesmo sem ser um diagnóstico formal, a tripofobia pode ser trabalhada como outras fobias específicas, com terapia cognitivo-comportamental e exposição gradual orientada por um profissional. Se você coça tanto que a pele fica irritada ou machucada, fale também com um médico.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. Na tripofobia, ela costuma ser usada para acalmar a onda automática de nojo e alarme diante de certos padrões e para ensaiar na imaginação, aos poucos, o contato com essas imagens até ele ficar mais suportável. Também é comum usá-la para que a mente deixe de ler essas formas como sinal de doença ou perigo. Muitas pessoas recebem ainda uma gravação para praticar em casa. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é tripofobia?

É uma aversão intensa a grupos de pequenos buracos ou bolinhas muito próximos, como os de um favo de mel ou de uma flor de lótus seca. Costuma ser sentida mais como nojo do que como medo, com arrepios, coceira ou enjoo. Não aparece como transtorno próprio nos manuais de diagnóstico, mas a reação é real e pode ser trabalhada.

Por que sinto nojo de buracos?

A explicação mais citada é que esses padrões lembram sinais de perigo, como a pele de alguns animais venenosos ou uma pele com doença, e o cérebro reage de forma automática para manter distância. Outra ideia é que o sistema visual tem mais trabalho para processar padrões tão densos. O mais provável é que vários fatores atuem juntos.

Por que a flor de lótus causa tanta aflição?

A vagem da semente de lótus reúne justamente o que mais incomoda quem tem tripofobia: buracos de tamanho parecido, muito próximos e um pouco irregulares, em uma superfície que lembra pele. Além disso, muitas imagens que circulam na internet foram editadas sobre pele humana para chocar mais, e isso reforça a associação.

É normal sentir algum incômodo com essas imagens?

Sim. Muita gente sente algum incômodo diante dessas imagens, e a forma leve, só com aversão, é a mais comum. A diferença está na intensidade: quando a reação é muito forte, demora a passar ou faz você evitar coisas, vale a pena pedir ajuda.

Tripofobia tem cura?

Não existe uma cura garantida, mas a tripofobia costuma ser tratada como outras fobias específicas, com terapia cognitivo-comportamental e exposição gradual orientada por um profissional. Muitas pessoas notam que a reação perde força com o tempo e a prática, e as técnicas de respiração e relaxamento ajudam a lidar com o momento.

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