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Para muita gente, uma borboleta pousando por perto é um momento bonito. Para outras pessoas, o mesmo bater de asas provoca um susto, vontade de cobrir o rosto e sair correndo, e depois uma certa vergonha, porque os outros não entendem o que pode haver de errado com um bicho tão pequeno.
Entendendo esse medo
A lepidopterofobia é um medo intenso e persistente de borboletas e, muitas vezes, também de mariposas. Quando o medo é só de mariposas, às vezes ele é chamado de motefobia. Sentir um incômodo quando uma borboleta voa perto não é uma fobia. Fala-se em fobia quando o medo é desproporcional, dura muito tempo e leva a pessoa a evitar lugares, programas ou épocas inteiras do ano.
O que mais assusta costuma ser o voo: rápido, cheio de zigue-zagues e difícil de prever. Muita gente teme que a borboleta vá direto para o rosto ou pouse no cabelo ou na roupa. Outras pessoas sentem nojo do toque das asas, do pozinho que elas soltam ou do corpo e das antenas vistos de perto. Há quem tenha medo só das mariposas que rodeiam a lâmpada à noite, como aquela grande e escura que muita gente chama de bruxa, quem tenha medo só das borboletas de dia e quem tenha medo das duas. Como esses insetos são vistos como inofensivos e até bonitos, o medo costuma ser vivido em silêncio.
Gatilhos comuns
- O voo rápido e imprevisível
- Uma borboleta pousando na roupa ou no cabelo
- Mariposas em volta da lâmpada à noite
- Asas encostando no rosto
- O pozinho que fica nos dedos ou na roupa
- Ver de perto o corpo e as antenas
- Mariposas dentro do guarda-roupa
- Abrir a janela nas noites de calor
- Jardins cheios de flores
- Lagartas nas plantas
Onde ele aparece
- Jardins, praças e varandas
- Quintais e áreas com a luz acesa à noite
- Quartos com a janela aberta
- Guarda-roupas e gavetas com roupa guardada
- Borboletários e museus de ciências
- Passeios no sítio, trilhas e viagens para o interior
- Festas infantis com decoração de borboletas
- Fotos, vídeos e desenhos
Sintomas
No corpo
- Susto e reflexo de se afastar
- Coração disparado
- Respiração rápida ou sensação de falta de ar
- Tremores e suor
- Sensação de que algo encosta ou anda pela pele
- Nojo ou enjoo
- Tontura ou sensação de desmaio
Na mente
- Medo de que ela voe na direção do rosto
- Aflição por não saber para onde ela vai
- Nojo das asas ou do corpo
- Sensação de estar encurralado se uma entra no quarto
- Vergonha de temer algo que os outros acham inofensivo
- Ficar em alerta durante a primavera e o verão
O que a pessoa costuma fazer
- Manter as janelas fechadas
- Conferir o quarto antes de dormir
- Apagar a luz ou sair do cômodo quando entra uma mariposa
- Cobrir o rosto ou o cabelo com as mãos
- Evitar jardins, borboletários e passeios ao ar livre
- Inventar desculpas para não explicar o medo
O que causa esse medo
Muitas vezes o medo começa na infância, depois de um susto marcante, como uma mariposa que bateu no rosto no escuro ou uma borboleta que ficou presa no cabelo. Ele também pode ser aprendido ao ver o pai, a mãe ou um irmão reagir com pânico, e ter familiares com fobias ou ansiedade pode aumentar a chance de desenvolvê-lo. Um encontro repentino, quando a pessoa não espera, pode bastar para o cérebro ligar esses insetos à ideia de perigo. O voo imprevisível e o nojo que as asas despertam mantêm o alerta ligado. Fugir dos lugares onde há borboletas alivia na hora, mas com o tempo reforça o medo.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo costuma crescer nos meses quentes, justamente quando todo mundo quer estar ao ar livre. Ele pode atrapalhar o sono, quando é preciso dormir de janela fechada em pleno calor, e tornar desconfortável algo simples como abrir o guarda-roupa. Há quem deixe de ir a passeios em família, viagens para o sítio ou festas infantis, e pais que têm receio de passar a reação para os filhos. As piadas dos outros podem aumentar a vergonha e fazer o medo ficar escondido.
O que pode ajudar no dia a dia
- Colocar telas mosquiteiras nas janelas para arejar a casa sem que os insetos entrem
- Apagar as luzes perto de uma janela aberta à noite, porque a luz atrai muitas mariposas
- Se uma borboleta chegar perto, ficar parado e soltar o ar devagar, porque ela costuma seguir o caminho
- Lembrar que borboletas não mordem nem picam
- Olhar desenhos ou fotos de borboletas por pouco tempo, no seu ritmo
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo prende você em casa nos meses de calor, tira o seu sono ou provoca crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. No Brasil, algumas lagartas, como as taturanas, têm pelos ou espinhos que queimam a pele, e certas espécies podem causar acidentes graves, por isso o melhor é nunca tocar nelas. Depois de um contato, lave o local com água corrente e procure atendimento médico, sem receitas caseiras. Se a pessoa passar mal, ligue para o SAMU (192). Se o medo está deixando você isolado e para baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de borboleta, ela costuma ser usada para identificar o que dispara a reação, seja o voo, o toque ou a aparência das asas, e para rever o susto antigo que às vezes está por trás do medo. Também é comum desacelerar na imaginação aquele voo que a mente percebe como tão rápido e ensaiar uma tarde no jardim com mais calma. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é lepidopterofobia?
É um medo intenso e persistente de borboletas e, muitas vezes, também de mariposas. Um incômodo leve não é fobia. Fala-se em fobia quando o medo é desproporcional, dura muito tempo e faz você evitar lugares ou atividades.
Por que tenho medo de borboleta se ela é inofensiva?
Saber que a borboleta não faz mal nem sempre acalma a reação, porque a fobia funciona como um alarme automático, e não como um cálculo de risco. O voo imprevisível, a chance de ela pousar em você e o nojo das asas disparam esse alarme. Ter esse medo não tem nada de ridículo, e ele pode ser trabalhado.
Como se chama o medo de mariposa?
Quando o medo é só de mariposas, às vezes ele é chamado de motefobia. Muitas pessoas têm medo tanto de borboletas quanto de mariposas, e nesse caso costuma-se usar o termo lepidopterofobia para os dois.
Borboleta ou mariposa faz mal?
Borboletas não mordem nem picam. Já algumas lagartas, como as taturanas, têm pelos ou espinhos que queimam a pele e, em certas espécies, podem causar acidentes graves, por isso não se deve tocar nelas. Se houver contato, lave o local com água e procure atendimento médico.
Como perder o medo de borboleta?
Costuma ajudar chegar perto do tema aos poucos, começando por desenhos ou fotos e sem se forçar, treinar a respiração lenta e não deixar que o medo decida os seus programas. Quando o medo é forte, a ajuda profissional, como a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual, costuma dar bons resultados.
Leia mais
Healthline: Lepidopterophobia, fear of butterflies · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Prefeitura de São Paulo, COVISA: Taturana (Lonomia obliqua), Série Educativa da Fauna Sinantrópica
