Medo de bebês e crianças

Tem gente que fica tensa assim que alguém oferece um recém-nascido para segurar no colo, ou que se afasta quando um bebê começa a chorar por perto. Outras pessoas evitam festas de aniversário infantil, almoços de domingo com os primos pequenos ou visitas a amigos que acabaram de ter filho, e nem sempre sabem explicar o motivo.

Entendendo esse medo

Algumas pessoas sentem uma ansiedade intensa e persistente perto de bebês ou de crianças pequenas. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é mais bem entendido como uma fobia específica: um medo desproporcional diante de algo que oferece pouco ou nenhum perigo real, que a pessoa costuma reconhecer como exagerado, mas não consegue controlar. Não é o mesmo que ter pouca paciência com crianças ou não querer ter filhos, que são preferências pessoais. Na fobia, o mal-estar aparece no corpo, pode começar dias antes de um encontro e leva a evitar situações do dia a dia.

O foco muda de pessoa para pessoa. Para algumas, é o choro alto e repentino, ou o jeito imprevisível de uma criança que corre ou grita. Para outras, é a fragilidade de um recém-nascido e o receio de machucá-lo sem querer, de não saber segurá-lo ou de não entender do que ele precisa. Também há quem tema a responsabilidade de ficar cuidando, mesmo que por pouco tempo.

Gatilhos comuns

  • Alguém oferecer o bebê para você segurar no colo
  • Um choro alto ou que não para
  • Gritos e brincadeiras barulhentas
  • Crianças que correm ou chegam perto sem aviso
  • Ficar responsável por uma criança, mesmo por pouco tempo
  • Trocar fralda ou dar de comer a um bebê
  • Saber que vai ter criança em um encontro

Onde ele aparece

  • Almoços de família e datas comemorativas
  • Festas de aniversário infantil
  • Visitas a amigos com filhos pequenos
  • Praças e parquinhos
  • Ônibus, metrô e salas de espera
  • Restaurantes e voos com famílias
  • Trabalhos ou cursos ligados à infância

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado ao ouvir um choro
  • Tensão nos ombros e nas mãos
  • Suor
  • Respiração curta
  • Aperto no estômago
  • Susto com gritos ou barulhos repentinos

Na mente

  • Medo de machucar o bebê sem querer
  • Sensação de não saber o que fazer
  • Alarme diante de qualquer movimento inesperado
  • Medo de fazer feio na frente dos pais
  • Vontade urgente de se afastar
  • Preocupação por dias antes de uma visita

O que a pessoa costuma fazer

  • Recusar segurar o bebê com qualquer desculpa
  • Evitar festas e encontros onde vai ter criança
  • Ir embora mais cedo ou ficar em outro cômodo
  • Mudar de lugar se houver uma criança por perto
  • Pedir para outras pessoas cuidarem de tudo
  • Descartar trabalhos ou programas com crianças

O que causa esse medo

Não se conhece uma causa única e, como em outras fobias específicas, vários fatores costumam se somar. Às vezes há uma experiência marcante, como um pequeno acidente enquanto cuidava de uma criança ou uma noite muito estressante com um bebê que não parava de chorar. Ter convivido pouco com crianças pequenas pode fazer com que elas pareçam frágeis e difíceis de entender. Sensibilidade a barulho e histórico de ansiedade na família também podem pesar. Cada vez que a pessoa se afasta, sente alívio, e esse alívio reforça a ideia de que ela não daria conta de ficar perto de crianças.

Como pode afetar a sua vida

Há quem perca almoços de família, comemorações e aniversários, ou se afaste dos amigos quando eles começam a ter filhos. O medo também pode criar tensão no relacionamento, principalmente quando há sobrinhos, enteados ou planos de formar uma família, e limitar algumas opções de trabalho. Muitas pessoas sentem culpa ou vergonha, porque acham que deveriam gostar de crianças. Se o medo aparece com a chegada de um filho, os primeiros meses podem ser vividos com muita angústia.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Lembrar que o choro é o jeito normal de o bebê avisar que está com fome, sono ou desconforto
  • Começar com momentos curtos perto de crianças conhecidas, com os pais presentes
  • Pedir para a mãe ou o pai mostrar como segurar o bebê, com você sentado e com calma
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, antes de uma visita
  • Se estiver cuidando de um bebê e se sentir sobrecarregado, colocá-lo por um momento em um lugar seguro, como o berço, e respirar alguns minutos ou pedir ajuda a alguém

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo afasta você da família ou dos amigos, limita o seu trabalho ou os seus planos, ou se você entra em pânico só de pensar em ficar perto de um bebê. Um médico, a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra podem avaliar o que está acontecendo. Se o medo surgir com a chegada de um filho e vier junto com tristeza, exaustão ou pensamentos que assustam, fale o quanto antes com o seu médico, o pediatra ou a equipe que acompanha você na UBS. Se o ânimo estiver baixo ou você se sentir isolado, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de bebês e crianças, ela costuma ser usada para entender que parte do medo pesa mais, como o choro, a fragilidade ou a responsabilidade, e para ensaiar na imaginação uma visita ou um momento com um bebê no colo até que isso pareça possível. Também é usada para acalmar a reação de alarme que dispara com um grito ou um choro repentino. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

Marcar conversa gratuita pelo Zoom

Conversa de 30 minutos, sem compromisso.

Perguntas frequentes

É normal ter medo de pegar um bebê no colo?

Sim. Muita gente fica nervosa na primeira vez que segura um recém-nascido, porque ele parece muito frágil. Isso costuma passar com a prática e com alguém mostrando como fazer. Quando o medo é tão forte que leva a evitar bebês por completo, pode ser uma fobia.

Ter medo de criança é o mesmo que não querer ter filhos?

Não. Não querer ter filhos ou preferir não passar tempo com crianças é uma decisão ou um gosto pessoal. O medo de que esta página trata é uma ansiedade intensa, com sintomas no corpo e uma vontade urgente de se afastar, que a pessoa vive com sofrimento e que muitas vezes gostaria de mudar.

Por que o choro de bebê deixa algumas pessoas tão nervosas?

O choro é o jeito de o bebê avisar que precisa de algo, e quase todo adulto tem dificuldade de ignorá-lo. Em quem tem esse medo, ele também fica ligado à sensação de não saber o que fazer ou de que algo vai mal. Saber que chorar é normal e que costuma ter causas simples, como fome ou sono, ajuda a baixar esse alarme.

O que fazer quando o medo aparece com o próprio bebê?

Sentir insegurança ou medo nas primeiras semanas é mais comum do que parece. Converse com o seu médico, o pediatra ou a equipe que acompanha você, e peça ajuda a pessoas de confiança para conseguir descansar. Se você se sentir sobrecarregado enquanto ele chora, coloque o bebê por um momento no berço, em um lugar seguro, e tire alguns minutos para se acalmar.

Tem como superar o medo de crianças?

Sim. As fobias específicas costumam responder bem à ajuda certa. A terapia cognitivo-comportamental, com uma aproximação gradual e acompanhada, é uma das abordagens mais usadas, e algumas pessoas também procuram a hipnoterapia. Quanto antes se busca ajuda, mais fácil costuma ser a mudança.

Leia mais

Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · En Familia, Asociación Española de Pediatría: Llanto del bebé