In English: read about this fear on Phobia Guru.
Uma bexiga que estoura na festa de aniversário, o alarme do prédio que dispara sem aviso ou o foguetório da virada do ano. Para muita gente, são barulhos chatos que logo caem no esquecimento. Para outras pessoas, só a possibilidade de um estouro basta para passar a noite tensa, com os ombros encolhidos e as mãos prontas para tapar os ouvidos.
Entendendo esse medo
A ligirofobia, também chamada de fonofobia ou sonofobia, é um medo intenso e persistente de barulhos altos, principalmente dos que chegam de repente. Levar um susto com um estouro é uma reação normal do corpo e costuma passar em poucos segundos. Na fobia, o medo é desproporcional ao risco real, aparece também na expectativa do barulho e leva a evitar festas, comemorações ou lugares cheios.
Não é a mesma coisa que a hiperacusia, em que sons do dia a dia em volume moderado parecem altos demais ou até causam dor, nem que a misofonia, em que incomodam sons específicos, como mastigar ou respirar, mesmo que não sejam altos. Essas experiências podem se misturar com o medo. Pessoas autistas ou muito sensíveis a estímulos costumam sofrer bastante com barulhos intensos, e em muitos casos o medo começa na infância.
Gatilhos comuns
- Fogos de artifício, rojões e bombinhas
- Bexigas que estouram
- Alarmes de incêndio ou de segurança, até em simulados
- Sirenes de ambulância, bombeiros e polícia
- Buzina de carro bem perto
- Motos com escapamento barulhento
- Portas que batem com força
- Trovões
- Tiros e explosões em filmes e videogames
- Objetos pesados caindo no chão
Onde ele aparece
- Na virada do ano e em jogos da Copa do Mundo
- Em festas juninas, com fogos e bombinhas
- Em festas infantis e aniversários
- Em casamentos, shows, cinemas e estádios
- Em ruas com muito trânsito e obras
- Em banheiros públicos com secadores de mão barulhentos
- Em escolas e empresas em dia de simulado
- Em casa, quando a vizinhança solta rojão em dia de jogo
Sintomas
No corpo
- Susto muito forte com qualquer barulho inesperado
- Coração acelerado
- Tensão nos ombros, no pescoço e na mandíbula
- Suor
- Respiração rápida ou sensação de falta de ar
- Enjoo ou tontura
- Tremores
Na mente
- Estar sempre em alerta, esperando o próximo estouro
- Angústia dias antes de uma data com fogos
- Dificuldade de se concentrar em lugares barulhentos
- Medo de ter uma crise de pânico em público
- Sensação de não conseguir relaxar em nenhum momento
- Vergonha por reagir mais do que os outros
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar festas, shows e comemorações
- Usar protetor auricular ou fone de ouvido o tempo todo
- Tapar os ouvidos ao ver uma bexiga ou uma bombinha
- Pedir aos outros que avisem antes de fazer barulho
- Descobrir a que horas começa a queima de fogos para ficar longe
- Ficar em casa nas datas festivas
O que causa esse medo
Todas as pessoas têm um reflexo de susto que prepara o corpo para reagir a um barulho repentino, porque durante muito tempo um estrondo podia ser sinal de perigo. Na ligirofobia, esse sistema de alarme fica mais ligado do que o necessário. Muitas vezes o medo começa na infância, depois de uma experiência muito assustadora, como uma bombinha que estourou perto. Ele também pode ser aprendido ao ver alguém da família se assustar, e ter casos de ansiedade na família aumenta a chance. Evitar todo som alto traz alívio na hora, mas com o tempo faz o corpo reagir com mais força.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo pode tirar o prazer de festas, casamentos e saídas com os amigos, e tem quem acabe passando a virada do ano ou os jogos da Copa trancado em casa. Para mães e pais, um aniversário infantil cheio de bexigas pode virar um momento difícil. Entre junho e julho, com as festas juninas, e em temporada de jogos, os fogos podem se repetir por semanas, e a tensão constante afeta o sono, a concentração e o humor. Também pode limitar o trabalho em fábricas, obras ou restaurantes. Quando a pessoa se isola para fugir do barulho, é fácil se sentir sozinha ou incompreendida.
O que pode ajudar no dia a dia
- Usar protetor auricular em lugares muito barulhentos, como um show, mas não o dia todo, porque se proteger de qualquer som pode manter a sensibilidade
- Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, para o corpo se acalmar depois de um susto
- Se preparar para as datas com fogos: saber a que horas costuma começar e ter um plano para esse momento
- Se acostumar aos poucos com sons do dia a dia em volume tolerável, aumentando bem devagar
- Deixar um som de fundo suave em casa, como uma música tranquila, para os barulhos repentinos assustarem menos
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você evitar comemorações, trabalhos ou lugares de que gostava, ou se você passa dias angustiado antes de uma data com fogos. Se os sons do dia a dia doem ou você ouve zumbido, procure um médico para avaliar a sua audição. Se o medo começou depois de uma experiência muito difícil e vem com lembranças que se repetem ou pesadelos, conte isso também. Para a ansiedade que atrapalha a sua rotina, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Se você se sente para baixo ou isolado, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de barulho alto, ela costuma ser usada para entender de onde vem o medo e para ensaiar na imaginação uma situação barulhenta, como uma festa ou uma noite de fogos, com o corpo tranquilo. Também é usada para diminuir a intensidade do susto e da espera tensa antes do barulho. É comum a pessoa receber ainda uma gravação para ouvir antes das datas difíceis. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
Marcar conversa gratuita pelo Zoom
Conversa de 30 minutos, sem compromisso.
Perguntas frequentes
O que é ligirofobia?
É um medo intenso e persistente de barulhos altos ou repentinos, também chamado de fonofobia ou sonofobia. Levar um susto com um estouro é normal. Na fobia, a angústia é muito maior do que o risco real, começa antes de o barulho chegar e leva a evitar festas, comemorações ou lugares barulhentos.
É a mesma coisa que hiperacusia ou misofonia?
Não. A hiperacusia é uma baixa tolerância a sons do dia a dia, que parecem altos demais ou até doem. A misofonia é uma reação intensa a sons específicos, como mastigar, mesmo que não sejam altos. A ligirofobia é uma resposta de medo. Elas podem aparecer juntas, então, se os sons doem, procure um médico.
Por que tenho tanto medo de fogos de artifício?
Um estouro forte e repentino ativa o reflexo de susto, que prepara o corpo para fugir. Se houve uma experiência ruim ou existe muita ansiedade de fundo, o cérebro pode ficar em alerta e começar a temer o barulho antes de ele chegar. Por isso a espera costuma ser a parte mais difícil.
É normal criança ter medo de barulho alto?
Sim, muitas crianças se assustam com barulhos altos e, em muitos casos, ficam menos sensíveis com o passar dos anos. Ajuda o adulto manter a calma, avisar antes de um barulho previsível e não obrigar a criança a chegar perto. Se o medo for muito intenso ou durar muito, converse com o pediatra, que também pode avaliar os ouvidos.
Como perder o medo de barulho alto?
As fobias específicas costumam responder bem à terapia cognitivo-comportamental e à exposição gradual, que começa com sons parecidos em volume bem baixo e aumenta aos poucos. É importante que seja gradual, porque enfrentar de uma vez um barulho muito alto pode piorar o medo. A respiração lenta ajuda na hora.
Leia mais
Maldita Ciencia: Petardos y fuegos artificiales, por qué producen pánico en algunas personas · Infocop: La intolerancia a los sonidos cotidianos podría entenderse mejor desde un enfoque transdiagnóstico · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Healthline: Understanding the fear of loud noises (phonophobia)
