In English: read about this fear on Phobia Guru.
Para algumas pessoas, chegar à beira de uma rua movimentada já basta para as pernas travarem e o coração disparar. Elas esperam até não ver nenhum carro ou moto, dão voltas enormes para encontrar um semáforo ou, aos poucos, deixam de sair sozinhas.
Entendendo esse medo
A agirofobia, também chamada de dromofobia, é um medo intenso e persistente de atravessar ruas e avenidas por onde passam veículos. Ter cuidado ao atravessar é sensato e necessário, ainda mais no trânsito de muitas cidades brasileiras. Na fobia, o medo é muito maior do que o risco real de atravessar na faixa de pedestres com o sinal aberto para você, aparece até em ruas tranquilas e pode levar a evitar saídas, compromissos e visitas.
O foco do medo muda de pessoa para pessoa. Algumas temem que um carro ou uma moto surja do nada; outras, travar no meio da rua, não conseguir calcular a velocidade do trânsito ou ter uma crise de pânico justamente onde parar parece perigoso. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente. Às vezes ele surge depois de um acidente, e em outros casos faz parte de algo mais amplo, como a agorafobia ou o transtorno de estresse pós-traumático, que são problemas de saúde reconhecidos e merecem a avaliação de um profissional.
Gatilhos comuns
- Trânsito rápido ou vindo de várias direções
- O sinal de pedestres começando a piscar
- Cruzamentos sem semáforo
- Avenidas largas com muitas faixas
- Barulho de motor e de buzina
- Ônibus e caminhões passando muito perto
- Motos e bicicletas que aparecem de repente
- Ter que atravessar sem companhia
- Ruas com pouca visibilidade ou em curva
- Lugares onde houve um acidente ou um susto
Onde ele aparece
- Cruzamentos e esquinas movimentadas
- Rotatórias e avenidas largas
- Faixas de pedestres em ruas de comércio
- A porta da escola dos filhos
- Estacionamentos de supermercado e de shopping
- Ruas sem calçada ou mal iluminadas
- O caminho diário até o trabalho ou o ponto de ônibus
- Lugares perto de um acidente do passado
Sintomas
No corpo
- Pernas fracas, duras ou como se estivessem travadas
- Coração disparado na beira da calçada
- Tontura ou sensação de desequilíbrio
- Suor e tremores
- Respiração rápida e curta
- Aperto no peito
- Enjoo
Na mente
- Medo de que um carro ou uma moto surja do nada
- Medo de travar ou cair no meio da rua
- Sensação de não conseguir calcular a velocidade do trânsito
- Lembranças repentinas de um acidente ou de um susto
- Medo de ter uma crise de pânico no meio da rua
- Dúvida constante sobre a hora certa de atravessar
O que a pessoa costuma fazer
- Esperar a rua ficar completamente vazia
- Dar voltas longas para atravessar só no semáforo
- Atravessar apenas de braço dado com alguém de confiança
- Chamar um carro de aplicativo para trajetos muito curtos
- Olhar o trânsito várias vezes antes de dar um passo
- Ficar em casa para não ter que atravessar
O que causa esse medo
Muitas vezes, esse medo começa depois de um atropelamento, de um quase atropelamento ou de presenciar um acidente. Nesses casos, ele pode fazer parte de uma reação pós-traumática, com lembranças que voltam sem querer, pesadelos ou um estado de alerta constante. Também pode crescer a partir de crises de pânico, quando a pessoa teme perder o controle justamente onde parar não parece seguro. Problemas de equilíbrio, de visão ou para caminhar podem somar uma preocupação real que depois aumenta. Cada vez que a pessoa evita atravessar, a mente reforça a ideia de que ela não daria conta, e assim o medo se mantém.
Como pode afetar a sua vida
Quase toda saída envolve atravessar pelo menos uma rua, por isso esse medo pode limitar muito a independência. Tem quem deixe de ir ao mercado, ao banco ou à padaria sem companhia, quem recuse um emprego por causa do trajeto ou quem não consiga levar os filhos a pé até a escola. Depender dos outros pode trazer frustração e culpa, e com o tempo o mundo encolhe para o que fica do lado seguro da rua. Se você perceber que o seu ânimo está muito baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
O que pode ajudar no dia a dia
- Usar a faixa com semáforo de pedestres e esperar o sinal abrir, mesmo que isso signifique andar um pouco mais
- Planejar caminhos com travessias conhecidas que tragam mais tranquilidade
- Praticar uma respiração lenta enquanto espera, soltando o ar mais devagar do que puxa
- No começo, atravessar com alguém de confiança ou junto com outros pedestres
- Quando o medo subir, lembrar das muitas vezes em que você já atravessou sem problema
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de sair, tira a sua independência ou provoca crises de pânico perto da rua. Se ele começou depois de um acidente e vem com lembranças que se repetem, pesadelos ou tensão constante, converse com um médico ou com um psicólogo ou psiquiatra, porque pode ser uma reação pós-traumática, que tem tratamento. Se você nota problemas de equilíbrio, de visão ou para caminhar, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) para uma avaliação. E se o medo de sair se estende a multidões, transporte público ou espaços abertos, conte isso também, porque pode ser agorafobia, que também tem tratamento.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de atravessar a rua, ela costuma ser usada primeiro para entender de onde vem o medo, seja um acidente antigo, o receio de travar ou um pânico associado. Depois, é comum usá-la para que as lembranças assustadoras fiquem guardadas como algo que já passou e para ensaiar na imaginação travessias seguras, passo a passo, com o corpo calmo. A proposta não é correr riscos, e a atenção ao atravessar continua sendo necessária. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
Marcar conversa gratuita pelo Zoom
Conversa de 30 minutos, sem compromisso.
Perguntas frequentes
O que é agirofobia?
É um medo intenso e persistente de atravessar ruas com trânsito, também chamado de dromofobia. Ele vai além da cautela normal: a pessoa pode entrar em pânico mesmo em uma travessia segura e chega a evitar saídas ou a depender de outras pessoas para atravessar.
Por que fiquei com medo de atravessar a rua depois de um acidente?
Depois de um atropelamento, de um susto ou de presenciar um acidente, é comum a mente ficar em alerta e associar a rua ao perigo. Se as lembranças, os pesadelos ou a tensão duram mais do que algumas semanas ou atrapalham muito a sua vida, converse com um médico ou com um profissional de saúde mental.
Agirofobia é a mesma coisa que agorafobia?
Não. A agirofobia gira em torno de atravessar ruas, enquanto a agorafobia é um transtorno de ansiedade mais amplo, com medo de lugares de onde seria difícil sair ou receber ajuda, como multidões, transporte público ou espaços abertos. Às vezes os dois aparecem juntos, e só um profissional pode avaliar.
Como perder o medo de atravessar a rua?
Costuma ajudar avançar por etapas: começar por travessias tranquilas e com semáforo, ir acompanhado no início e praticar a respiração lenta. A terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual e a hipnoterapia são abordagens usadas, sempre respeitando a segurança na hora de atravessar.
É normal o idoso ter medo de atravessar a rua?
Com a idade, podem surgir mudanças no equilíbrio, na visão ou no jeito de caminhar que tornam a travessia mais difícil, e é natural ter mais cuidado. Se o medo for muito grande ou fizer a pessoa deixar de sair, vale avaliar essas mudanças com um médico ou na UBS e conversar também sobre o medo.
Leia mais
Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Mayo Clinic: Agorafobia, síntomas y causas · MedlinePlus en español: Trastorno de estrés postraumático
