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Tem gente que não consegue ver uma serra elétrica, uma máquina ligada ou um acidente em um filme sem imaginar que vai perder uma mão ou uma perna. Outras pessoas, diante de uma ferida que demora a cicatrizar ou de uma cirurgia marcada, sentem que a ideia de uma amputação não sai da cabeça, de dia e de noite.
Entendendo esse medo
A apotemnofobia é um medo intenso de perder um braço ou uma perna, por acidente ou por cirurgia, e da própria ideia de uma amputação. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica: um medo duradouro, bem maior do que o risco real, que leva a pessoa a evitar tudo o que lembra o assunto. Tomar cuidado com acidentes e cuidar da saúde é sensato. Na fobia, a angústia aparece mesmo sem nenhum perigo por perto e ocupa muito espaço no dia.
O foco muda de pessoa para pessoa. Algumas temem principalmente um acidente com ferramentas ou máquinas. Outras têm medo de que uma ferida, uma infecção ou uma doença acabe em amputação, e há quem fique angustiado só de ouvir a palavra. É um medo sobre o que poderia acontecer com o próprio corpo, e pode vir junto com o medo de sangue, de hospital ou de cirurgia.
Às vezes o nome é confundido com apotemnofilia, uma palavra parecida que descreve algo muito diferente: o desejo persistente de amputar uma parte saudável do corpo, que hoje a medicina chama de disforia de integridade corporal. Esta página trata apenas do medo de perder um membro.
Gatilhos comuns
- Ferramentas cortantes ou máquinas ligadas
- Notícias sobre acidentes de trabalho ou de trânsito
- Cenas de ferimentos em filmes, séries ou novelas
- Uma ferida que demora a cicatrizar
- Dor, formigamento ou frio em uma mão ou um pé
- Uma cirurgia marcada
- Conversas no consultório sobre circulação ou infecções
- A palavra amputação
Onde ele aparece
- Oficinas, fábricas e obras
- Na cozinha, ao usar facas ou eletrodomésticos
- Consultórios, UBS e hospitais
- Nos dias antes de uma cirurgia
- Diante de notícias, filmes ou redes sociais
- Ao acompanhar um familiar que vai ser operado
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao ver uma ferramenta ou uma ferida
- Suor ou mãos frias
- Sensação de fraqueza nos braços ou nas pernas
- Enjoo ou tontura
- Dormir mal antes de uma consulta médica
Na mente
- Imagens de perder uma parte do corpo que invadem a cabeça
- Certeza de que um pequeno acidente vai acabar em algo grave
- Preocupação constante com a circulação ou com feridas
- Medo de passar a depender de outras pessoas
- Imaginar o pior diante de qualquer procedimento médico
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar ferramentas, facas ou certos trabalhos
- Examinar mãos e pés várias vezes
- Pesquisar sintomas na internet por horas
- Adiar consultas por medo do que o médico vai dizer
- Evitar filmes, notícias ou conversas sobre acidentes
O que causa esse medo
Como em outras fobias específicas, o ponto de partida pode ser uma experiência difícil, como sofrer ou presenciar um acidente grave, ou acompanhar de perto a cirurgia de um familiar. Imagens fortes de ferimentos também podem deixar marcas. Pesam ainda a tendência à ansiedade na família, um temperamento mais sensível e o que se aprendeu na infância. Em quem convive com uma doença que afeta a circulação, como o diabetes, o assunto pode surgir nas consultas e despertar uma preocupação que cresce com o tempo. Evitar tudo o que lembra o medo, ou examinar o corpo sem parar, alivia por um momento, mas reforça o alarme.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo pode limitar trabalhos com ferramentas ou máquinas, hobbies como marcenaria e até tarefas simples na cozinha. O ponto mais delicado é quando ele leva a adiar consultas, exames ou tratamentos, porque um problema de saúde sem cuidado pode se complicar. A preocupação constante também cansa, atrapalha o sono e pode gerar atrito com familiares que não entendem a angústia. Em algumas pessoas aparecem tristeza ou isolamento.
O que pode ajudar no dia a dia
- Usar o equipamento de proteção certo nas tarefas com risco e depois confiar nesse cuidado
- Levar para a consulta uma lista de dúvidas e pedir que expliquem a sua situação com calma
- Limitar as pesquisas de sintomas na internet e as imagens de acidentes
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Conversar sobre o medo com alguém de confiança, em vez de carregar tudo sozinho
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você largar o trabalho ou os hobbies, tira o seu sono ou leva você a adiar consultas, exames ou tratamentos. Não deixe de ir ao médico por causa do medo: uma ferida que não cicatriza, mudança de cor, dor ou frio em uma mão ou um pé precisam ser avaliados por um médico, e quanto antes, melhor. Se você tem uma cirurgia marcada, conte o seu medo para a equipe médica, que pode explicar cada etapa. Se a ansiedade está atrapalhando o seu dia a dia, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o seu ânimo anda muito baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de amputação, ela costuma ser usada para entender de onde vem o medo e para acalmar a reação automática de alarme diante de ferramentas, feridas ou acidentes. Também é usada para ensaiar na imaginação situações temidas, como uma consulta médica, vividas com mais calma. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem os tratamentos indicados, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é apotemnofobia?
É o nome dado ao medo intenso e persistente de perder um braço ou uma perna, ou da ideia de uma amputação. Não é um diagnóstico à parte, e sim uma forma de fobia específica: o medo é bem maior do que o risco real e começa a limitar o dia a dia.
É normal ter medo antes de uma cirurgia na perna ou no braço?
Sentir nervosismo antes de uma cirurgia é muito comum. O que costuma ajudar é conversar com a equipe médica, perguntar tudo o que preocupa você e pedir que expliquem cada etapa. Se o medo é tão forte que você pensa em desistir da cirurgia, fale com o seu médico antes de tomar qualquer decisão.
Tenho diabetes e morro de medo de perder um pé. O que fazer?
É uma preocupação compreensível. O melhor caminho é conversar sobre isso com o seu médico ou com a equipe da UBS que acompanha você, que conhece o seu caso, e ir às consultas de acompanhamento indicadas. Se o medo paralisa você ou faz você fugir das consultas, o apoio de um psicólogo também pode ajudar.
Como superar o medo de amputação?
Como outras fobias específicas, esse medo costuma responder bem à terapia cognitivo-comportamental e à exposição gradual, sempre com acompanhamento profissional. Entender melhor a sua situação de saúde com o seu médico, e não com pesquisas na internet, também costuma diminuir a incerteza que alimenta o medo.
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