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Tem gente que passa anos sem tomar uma vacina ou que guarda na gaveta o pedido de exame de sangue que o médico passou. Outras pessoas vão, mas passam a semana anterior com um nó no estômago e, na hora, sentem que vão desmaiar só de ver a seringa.
Entendendo esse medo
A tripanofobia, também chamada de fobia de agulha, é um medo intenso e persistente de procedimentos médicos com agulha, como vacinas, exames de sangue ou soro na veia. Quase ninguém gosta de levar uma picada, e ficar nervoso antes de uma vacina é muito comum. Na fobia, a angústia é desproporcional, pode começar dias antes do atendimento e leva muitas pessoas a adiar ou cancelar cuidados de que precisam.
Ela faz parte do mesmo grupo do medo de sangue e de ferimentos. Em algumas pessoas, o coração acelera no começo e depois a pulsação e a pressão arterial caem de repente, o que se chama de reação vasovagal e pode causar tontura ou desmaio. Para outras, o centro do medo é a dor, a sensação de estar segurado sem poder se mexer ou a lembrança de uma experiência ruim. Há quem tenha mais medo de desmaiar na frente dos outros do que da picada em si.
Gatilhos comuns
- Ver uma agulha ou uma seringa
- O cheiro de álcool ou de antisséptico
- O garrote que apertam no braço antes da coleta
- Receber o pedido de um exame
- Campanhas e lembretes de vacinação
- Ver outra pessoa tomando injeção
- Cenas de injeção em séries e filmes
- Ouvir falar de soro ou de acesso na veia
- A anestesia no dentista
- Esperar a vez na sala de vacina
Onde ele aparece
- Consultórios e Unidades Básicas de Saúde
- Laboratórios de análises clínicas
- Salas de vacina e farmácias
- Hospitais, prontos-socorros e UPAs
- Consultas de pré-natal
- O consultório do dentista
- Vacinas antes de uma viagem
- Hemocentros e campanhas de doação de sangue
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ao ver a agulha
- Tontura ou sensação de que tudo está girando
- Palidez e suor frio
- Enjoo ou nó no estômago
- Aperto no peito ou respiração curta
- Tremor nas mãos
- Desmaio ou sensação de que vai desmaiar
Na mente
- Certeza de que a picada vai ser insuportável
- Medo de desmaiar na frente dos outros
- Preocupação de que algo dê errado com a agulha
- Vergonha por ter esse medo sendo adulto
- Imaginar a agulha de novo e de novo
- Angústia que cresce durante dias antes do atendimento
O que a pessoa costuma fazer
- Adiar ou cancelar vacinas e exames
- Perguntar várias vezes se vai doer
- Desviar o olhar ou fechar os olhos com força
- Evitar viagens que exigem vacina
- Esconder o medo da equipe de saúde
- Só ir ao atendimento com alguém de confiança
O que causa esse medo
Experiências dolorosas ou muito frequentes com agulhas na infância são um ponto de partida comum, principalmente se a criança precisou ser segurada para tomar uma injeção. O medo também pode ser aprendido ao ver o pai ou a mãe angustiados com picadas, e ter parentes com esse medo ou com ansiedade aumenta a chance de desenvolvê-lo. Em algumas pessoas, uma sensibilidade maior à dor também pesa. Quem já desmaiou uma vez durante uma injeção pode passar a temer principalmente desmaiar de novo. Evitar as agulhas traz alívio na hora, mas impede de comprovar que o procedimento é suportável, e assim o medo se mantém.
Como pode afetar a sua vida
O risco mais sério é deixar a própria saúde de lado. Há quem adie vacinas, exames, tratamentos dentários ou o acompanhamento de uma doença que precisa de controle, e isso pode fazer um problema ser descoberto tarde. Para quem tem uma doença crônica com exames ou injeções frequentes, cada atendimento pode ser vivido com muita angústia. A gravidez, com os exames do pré-natal, pode ficar especialmente difícil. Algumas pessoas desistem de viagens que exigem vacina, e muitos pais e mães se preocupam por não conseguir manter a calma quando os filhos precisam tomar injeção.
O que pode ajudar no dia a dia
- Contar sobre o medo assim que chegar e pedir para ser atendido deitado se costuma ficar tonto
- Deitar logo se sentir tontura, suor frio ou vista embaçada e esperar um pouco antes de levantar
- Ir com alguém de confiança, desviar o olhar ou fixar a atenção em um ponto da sala
- Perguntar ao médico ou ao enfermeiro se no seu caso dá para usar uma pomada que adormece a pele
- Treinar antes uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você adiar vacinas, exames ou tratamentos, se impede o controle de uma doença ou se você tem crises de pânico só de pensar em uma agulha. Não deixe de lado os cuidados que foram indicados; avise a equipe de saúde sobre o medo, porque ela pode adaptar o atendimento. Se desmaiar pela primeira vez ou com frequência, conte a um médico. Para o medo em si, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se quem tem medo é uma criança, o pediatra pode orientar a família.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de agulha, ela costuma ser usada para entender de onde vem o medo e para ensaiar na imaginação uma vacina ou uma coleta de sangue do começo ao fim até que pareçam possíveis. Também é usada para acalmar a reação automática de alarme que aparece ao ver a seringa, e em quem tende a ficar tonto costuma ser combinada com técnicas práticas para lidar com esse momento. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
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Perguntas frequentes
O que é tripanofobia?
É um medo intenso e persistente de procedimentos médicos com agulha, como injeções, vacinas e exames de sangue. Ficar nervoso antes de uma picada é muito comum; fala-se em fobia quando o medo é tão forte que leva a evitar ou adiar cuidados de saúde.
Por que algumas pessoas desmaiam com agulha?
Nesse medo pode acontecer uma reação vasovagal, em que a pulsação e a pressão arterial caem de repente e chega menos sangue ao cérebro por um momento. Se isso já aconteceu com você, avise a equipe antes e peça para ser atendido deitado. Se desmaiar pela primeira vez ou com frequência, conte a um médico.
Como perder o medo de agulha?
Costuma ajudar ir passo a passo. A exposição gradual, dentro da terapia cognitivo-comportamental, é a abordagem mais estudada e dá bons resultados mesmo em medos intensos; dá para começar, por exemplo, visitando o posto de saúde e avançar aos poucos. Enquanto isso, avisar a equipe, desviar o olhar e respirar devagar deixam cada atendimento mais fácil de enfrentar.
O que fazer se tenho medo de tomar vacina?
Conte sobre o medo à equipe antes de começar, peça para tomar sentado ou deitado e leve alguém de confiança. Olhar para outro lado e conversar ajuda a ocupar a atenção. Se o medo está fazendo você adiar vacinas, converse com um médico ou com um profissional de saúde mental para trabalhar isso, em vez de deixá-las para depois.
Como ajudar uma criança com medo de agulha?
Ajuda manter a calma, avisar com alguma antecedência e explicar com palavras simples para que serve a vacina. Ouvir o que ela sente, em vez de dizer que não é nada, e escolher juntos uma distração, como uma história ou uma música, costuma funcionar melhor. Nunca segure a criança à força contra a vontade dela, e se a ansiedade for muito forte, converse com o pediatra.
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