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Tem gente que vai à praia com a família e passa o dia inteiro na areia, embaixo do guarda-sol, enquanto todo mundo entra no mar. Outras pessoas sentem pânico com algo simples, como a água do chuveiro caindo no rosto, e escondem isso por vergonha.
Entendendo esse medo
A aquafobia é um medo intenso e persistente de água, que vai muito além de nadar mal. É um tipo de fobia específica: o medo é desproporcional ao perigo real e pode aparecer só de pensar em água ou de ver uma imagem. Para algumas pessoas, o problema é a água funda, o rio com correnteza ou o mar. Para outras, também a banheira, a parte rasa da piscina ou a água no rosto.
Às vezes esse medo é chamado de hidrofobia, mas essa palavra tem também um sentido médico antigo, ligado à raiva, que não tem nada a ver com a fobia. A aquafobia também é diferente da talassofobia, que se concentra no mar e em águas grandes e profundas. Na aquafobia, o centro costuma ser afundar, não conseguir respirar ou perder o pé. Muitas vezes começa na infância, e há adultos que nunca aprenderam a nadar por causa dele.
Gatilhos comuns
- Água espirrando no rosto
- Colocar a cabeça embaixo d’água
- Enxaguar o cabelo no chuveiro
- Não sentir o chão com os pés
- Ondas e correntezas
- Água escura ou turva
- Alguém jogar água ou empurrar para a piscina de brincadeira
- Cenas de acidentes na água em filmes ou no noticiário
- O eco e o cheiro de cloro de piscinas cobertas
- Temporais e enchentes
Onde ele aparece
- Piscinas, principalmente na parte funda
- Praias e banho de mar
- Rios, cachoeiras, lagos e represas
- Passeios de barco, lancha ou escuna
- Chuveiro e banheira em casa
- Aulas de natação dos filhos
- Festas e churrascos na beira da piscina
- Clubes, parques aquáticos e hotéis nas férias
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ao chegar perto da água
- Respiração rápida e curta
- Sensação de não conseguir puxar o ar
- Suor, calafrios ou tremores
- Tontura ou sensação de desmaio
- Enjoo
- Palidez ou frio repentino
Na mente
- Medo de afundar e não conseguir sair
- Medo de não conseguir respirar
- Imaginar que há algo escondido na água
- Pavor de perder o pé
- Vergonha de não saber nadar sendo adulto
- Ansiedade dias antes de uma viagem para a praia
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar totalmente piscinas, praias e rios
- Entrar só onde dá pé
- Evitar molhar o rosto no banho
- Inventar desculpas em festas e passeios com água
- Ficar agarrado à borda ou a outra pessoa
- Nas crianças, chorar, travar ou se agarrar a um adulto perto da água
O que causa esse medo
Não existe uma causa única. Muitas vezes há uma experiência que assustou, como quase se afogar, ficar sem ar embaixo d’água, ser levado por uma correnteza ou ver alguém em apuros. O medo também pode ser aprendido ao ver o pai, a mãe ou um amigo reagir com aflição perto da água, ou ao ouvir histórias ruins. Filmes, notícias dramáticas e pouco contato com água na infância também podem influenciar. Um temperamento ansioso, outras fobias ou casos de ansiedade na família deixam algumas pessoas mais propensas. Evitar a água mantém o medo, porque impede a pessoa de descobrir que é possível estar nela com segurança.
Como pode afetar a sua vida
Em um país com tanto litoral, rios e cachoeiras, esse medo pode fazer a pessoa perder férias na praia, festas na piscina, passeios de barco e fins de semana no clube. Muitos pais têm dificuldade de levar os filhos à aula de natação ou de acompanhá-los na água, e temem passar o medo adiante. Nos casos mais intensos, até tomar banho ou lavar o cabelo vira motivo de tensão. Também é comum sentir vergonha ou ficar de fora enquanto os outros aproveitam.
O que pode ajudar no dia a dia
- Treinar fora da água uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Dar passos pequenos em casa, como deixar a água correr nas mãos ou molhar o rosto aos poucos
- Fazer aulas de natação para adultos com um professor acostumado a alunos com medo, começando onde dá pé
- Praticar só em lugares com guarda-vidas ou supervisão e sempre acompanhado, nunca sozinho nem em mar aberto
- Lembrar que os pensamentos de medo são um alarme e não um fato, e deixá-los passar enquanto respira
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de tomar banho com tranquilidade, participar de programas em família ou levar os filhos para nadar, ou se você tem crises de pânico perto da água. Se a ansiedade está pesando no dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. A terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual, feita passo a passo e em ambiente seguro, de preferência com orientação profissional, é uma das abordagens mais usadas. Se é uma criança que tem um medo forte ou que não passa, converse com o pediatra.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de água, ela costuma ser usada para entender de onde o medo vem, muitas vezes de uma experiência na infância, e para ensaiar na imaginação passos como entrar na parte rasa da piscina ou molhar o rosto com calma. Também é usada para diminuir a reação automática de alarme que aparece perto da água, e pode acompanhar as aulas de natação, nunca substituí-las. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é aquafobia?
É um medo intenso e persistente de água, que pode ir do mar e dos rios até a parte rasa da piscina ou o chuveiro. É um tipo de fobia específica, e se diferencia de um nervosismo comum porque leva a pessoa a evitar a água e atrapalha a vida diária.
Aquafobia e hidrofobia são a mesma coisa?
No dia a dia, muita gente usa as duas palavras como sinônimos, mas hidrofobia tem também um sentido médico antigo: um sintoma da raiva em que fica difícil engolir líquidos. Esse uso não tem relação com a fobia. Para falar do medo de água, aquafobia é o termo mais claro.
Adulto com medo de água consegue aprender a nadar?
Sim. Muitos adultos aprendem com aulas individuais ou em turmas pequenas, com professores acostumados a alunos com medo, começando na parte em que dá pé. Ir no seu ritmo e praticar sempre em lugares com supervisão ajuda a ganhar confiança com segurança.
Como ajudar uma criança com medo de água?
Costuma ajudar manter a calma, deixar a criança avançar no ritmo dela, sem forçar nem colocá-la na água de surpresa, e comemorar cada pequeno passo. Aulas com um professor paciente podem ser úteis. Se o medo for muito forte ou não melhorar, converse com o pediatra.
Por que tenho medo de água se nunca aconteceu nada comigo?
Nem sempre é preciso uma experiência ruim. O medo pode ser aprendido ao ver outras pessoas aflitas perto da água, ao ouvir histórias ou ao ver cenas dramáticas, e um temperamento ansioso também pesa. Entender de onde ele vem ajuda, mas não é necessário para começar a trabalhar esse medo.
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Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Excélsior: Miedo extremo al agua, claves para entenderlo y superarlo · Medical News Today: Aquaphobia, symptoms, causes and treatment
