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Para algumas pessoas, um aniversário, a virada do ano ou uma foto antiga deixam uma angústia que dura dias. Elas sentem que o tempo está acelerando, que os anos passam sem que percebam e que não vai dar tempo de fazer tudo o que queriam.
Entendendo esse medo
A cronofobia é um medo intenso e persistente da passagem do tempo. Quase todo mundo sente um pouco de nostalgia no aniversário ou se espanta com a rapidez com que um ano passou. Na cronofobia, essa sensação vira um medo de fundo constante ou momentos de angústia forte, e chega a afetar o sono, os planos e a capacidade de aproveitar o presente.
Ela é considerada um tipo de fobia específica, e não há números confiáveis sobre quantas pessoas a têm. Costuma vir junto com a sensação de que o futuro está encurtando ou de que não sobra tempo para cumprir as próprias metas, e às vezes o tempo parece correr rápido demais ou ficar muito lento. Com frequência se relaciona com o medo de envelhecer ou com pensamentos sobre a morte. Pode ser mais comum em pessoas mais velhas, em quem enfrenta uma doença grave e em quem passou por uma experiência traumática ou por um longo período de isolamento. Algumas pessoas notaram esse medo pela primeira vez durante a quarentena da pandemia de COVID-19.
Gatilhos comuns
- Aniversários, principalmente os que mudam de década
- A virada do ano e as festas de fim de ano
- Bodas, aniversários de namoro e formaturas
- Ver os filhos crescerem ou os pais envelhecerem
- Fotos e vídeos antigos
- O tique-taque de um relógio
- Uma agenda cheia ou um prazo
- Amigos da mesma idade alcançando metas antes
- Notícias de doença ou morte de alguém
- A aposentadoria ou o fim de uma fase
Onde ele aparece
- Festas de família e de aniversário
- A noite de Réveillon
- Hospitais e casas de repouso
- Reencontros da escola e lugares da juventude
- Tardes paradas, sem nada planejado
- Salas de espera e filas
- Redes sociais cheias de conquistas dos outros
- A cama, antes de dormir
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ou palpitações
- Aperto no peito
- Respiração curta
- Suor e tremores
- Tontura ou enjoo
- Calafrios
- Sono agitado nas datas marcantes
Na mente
- Sensação de que o tempo está acabando
- Perceber o tempo acelerado ou lento demais
- Medo de não cumprir as próprias metas
- Pensamentos repetitivos sobre envelhecer ou morrer
- Sentir-se desligado, como se as coisas não fossem reais
- Uma angústia difusa, difícil de explicar
O que a pessoa costuma fazer
- Olhar o relógio ou o calendário o tempo todo
- Evitar aniversários, festas ou lembretes da idade
- Lotar a agenda para não desperdiçar nenhum minuto
- Pedir aos outros que confirmem que não é tarde demais
- Contar os dias que faltam para alguma coisa
- Se isolar nas datas que mais pesam
O que causa esse medo
Raramente existe uma causa só. Um diagnóstico de doença grave, uma perda ou uma situação em que a vida pareceu estar em risco podem fazer o tempo ser vivido como algo que escapa. Longos períodos de isolamento ou de internação também podem mudar a forma como os dias são percebidos. Um temperamento ansioso e um histórico de ansiedade, desânimo ou fobias na família aumentam a chance de esse medo surgir. Muitas vezes, por trás dele estão a sensação de não ter controle sobre o tempo e a consciência de que a vida tem um fim. Olhar o relógio ou fugir dos aniversários acalma por um momento, mas mantém a atenção presa ao tempo.
Como pode afetar a sua vida
A cronofobia pode tirar a alegria de momentos que deveriam ser bons, como um aniversário, um casamento ou o nascimento de um neto. Algumas pessoas têm dificuldade de fazer planos, porque pensar no futuro lembra que o tempo passa, e outras correm de uma meta para a próxima sem aproveitar nenhuma. A família e os amigos podem perceber que a pessoa está presente, mas com a cabeça longe, e isso desgasta as relações. Com o tempo, o medo pode trazer problemas de sono, isolamento e humor para baixo.
O que pode ajudar no dia a dia
- Deixar o celular de lado e tirar o relógio em alguns horários fixos do dia
- Reservar tempo para atividades que prendem a atenção, como caminhar, ouvir música, cozinhar ou um hobby
- Fazer um ou dois planos concretos para os próximos meses, em vez de pensar na vida inteira
- Conversar sobre o que sente com alguém de confiança
- Praticar uma respiração lenta ou alguns minutos de atenção plena quando a angústia aparecer
- Manter horários regulares de sono, principalmente nas datas que mais afetam você
Quando procurar ajuda
Vale procurar ajuda se o medo estraga comemorações importantes, impede você de fazer planos ou tira o seu sono, ou se você tem crises de pânico. Se a ansiedade ou o desânimo estão atrapalhando o seu dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou busque um psicólogo ou psiquiatra. Se o medo começou depois de uma perda ou de uma experiência muito difícil, conte isso também. Se o seu humor estiver para baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo da passagem do tempo, ela costuma começar explorando o que o tempo significa para a pessoa, seja envelhecer, perder alguém, se arrepender de algo ou a ideia da morte. Depois, é usada para acalmar a reação automática de alarme diante de um aniversário ou de um relógio e para ensaiar na imaginação como viver essas datas com mais calma e atenção ao presente. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é cronofobia?
É um medo intenso e persistente da passagem do tempo. Vai além da nostalgia normal de um aniversário: a pessoa sente que o tempo está acabando, convive com um medo de fundo ou tem momentos de angústia forte, e isso afeta a vida no dia a dia.
É normal sentir que o tempo passa cada vez mais rápido?
Sim, é uma sensação muito comum, principalmente com os anos. Ela vira um problema quando a preocupação é intensa, dura meses e impede você de aproveitar, dormir ou fazer planos.
A cronofobia tem relação com o medo da morte?
Muitas vezes, sim, porque a passagem do tempo lembra que a vida tem um fim, e ela também costuma aparecer junto com o medo de envelhecer. Mesmo assim, a cronofobia se concentra mais no tempo em si e na sensação de que ele está escapando.
Esse medo pode aparecer depois de uma quarentena ou de um isolamento longo?
Sim. Passar muito tempo em casa, internado ou isolado pode mudar a forma como os dias são percebidos, e algumas pessoas notaram esse medo pela primeira vez durante a quarentena da pandemia de COVID-19.
Como perder o medo da passagem do tempo?
Costuma ajudar a terapia psicológica, como a terapia cognitivo-comportamental, que trabalha pensamentos como já é tarde demais, junto com técnicas de relaxamento e atenção plena. Fazer planos concretos e reservar tempo para atividades que prendem a atenção também ajuda a viver mais no presente.
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